Se quisermos podemos identificar esta dinâmica nas relações basilares: com os pais, irmãos e filhos.

Muitos são os relatos de pessoas que assumem que as relações melhoraram quando houve uma separação umbilical, quando se saiu de casa pela primeira vez. Pois bem, é nesta separação que se ganha distanciamento, e assim também se ganha capacidade de refletir, assimilar, considerar pontos de vista distintos.

Quanto estamos demasiadamente envolvidos tendemos a perder a capacidade de foco, a capacidade de isenção, e, principalmente, a capacidade de nos ouvirmos a nós próprios sem vozes externas a pressionar que tomemos uma posição.

Estar distante não é estar indiferente, estar distante é muitas vezes um balão de oxigénio necessário para a sanidade mental do indivíduo. Se o distanciamento pode ser encarado como uma fuga? Naturalmente que sim, que muitas vezes é uma fuga. Não se confunda que é uma fuga ao outro, porque não é. É uma fuga pessoal, é uma fuga à necessidade de entrar em contacto com as próprias emoções, pois através desse contacto poderá ser válido concluir que existem relações tóxicas, das quais nós dependemos, também. Nunca devemos apontar o dedo ao outro, prontos a julgar. Se consideramos que o outro é tóxico, seja quem for - pai, mãe, filho, irmão, colega de trabalho, chefe, amigo, marido, esposa, professor, aluno, sogra, é melhor parar e questionar: qual é a minha parte que contribui para esta toxicidade? Não convém criar ilusões, no papel de vítima, e julgar que a responsabilidade da relação tóxica é exclusiva do outro. Seria uma ingenuidade e hipocrisia.

É nestas alturas, em que podemos encontrar-nos desesperados, sem saber como terminar com as relações tóxicas que existem, que devemos fazer três questões:

  • Qual é o meu benefício secundário desta relação/dinâmica?
  • Se eu tivesse coragem, assumia que preciso de me alimentar desta energia tóxica porque?
  • Para que é que estou a doar o meu poder pessoal ao outro?

A consciência de que somos a única pessoa com quem vamos lidar até fechar os olhos, nesta dimensão, é real. Somos mesmo! Então, se precisamos de nutrir alguma relação, em primeiro lugar, é a nossa. Ao ganhar algum distanciamento de nós próprios podemos fazer uma análise macro, para enxergar em que medida estamos a falhar-nos, e também em que medida estamos simplesmente a ser crianças mimadas, incapazes de ceder, de assumir responsabilidades.

Aproveite a energia da Lua Cheia em Touro, que aconteceu ontem, e sinta do que é que precisa de se desapegar, para posteriormente ganhar espaço para o novo: que pode sonhar e consequentemente materializar.

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