“A saudade bateu no coração” dos moradores e, “cinco anos depois da última edição das Festas do Povo, Campo Maior vai novamente engalanar-se com flores de papel”, afirmou hoje à agência Lusa o presidente da câmara municipal, João Muacho.

O município e a Associação das Festas do Povo de Campo Maior (AFP) anunciaram hoje, em conferência de imprensa, a decisão de realizar este ano os tradicionais festejos, cuja última edição teve lugar em 2015, e as datas do evento, que promete atrair milhares de visitantes à vila, entre 29 de agosto e 06 de setembro.

O autarca de Campo Maior, à margem desta iniciativa, justificou à Lusa que as Festas do Povo voltam a realizar-se este ano porque “foram muitos aqueles que, junto da AFP e da própria câmara”, manifestaram “a intenção e a vontade” para “que houvesse edição das Festas em 2020”.

Até agora, de acordo com o autarca, já estão inscritos para esta edição “cerca de 70 troços e ruas”, o que é “um pouco mais do que” os que estavam inscritos “quando, na mesma data, em 2015, foram anunciadas as Festas do Povo”.

Para João Muacho, “a expectativa” é a de que, “nas próximas semanas, mais algumas ruas e troços” se inscrevam.

Expressando “um grande agradecimento ao povo de Campo Maior, que, nos próximos meses, vai trabalhar de forma árdua” para que a vila “acorde florida no dia 29 de agosto”, o autarca destacou que, um dos momentos altos, vai ser a noite de dia 28.

“A noite mágica, que é a noite de enramação (quando as ruas são decoradas), vai ocorrer de 28 para 29” e, mesmo até aí, domina o segredo: “As ruas, apesar de contíguas e vizinhas, não sabem aquilo que a outra rua está a preparar” e os trabalhos, as flores e a decoração “são mantidos em segredo”.

No caso da edição deste ano, só na manhã de dia 29, “quando começarmos a passear por esse imenso mar de quilómetros e quilómetros de ruas cobertas de flores de papel das mais variadas cores”, é que se vai “ter a noção daquilo que cada um tem para apresentar ao mundo”, sublinhou o autarca.

Como tem sido habitual em edições anteriores, a câmara espera este ano “milhares de visitantes”, afirmou João Muacho, frisando que, com este evento, “a primavera em Campo Maior nasce quando o povo quer”.

Vanda Portela, da AFP, explicou à Lusa que a associação “está a preparar os materiais necessários” para a confeção das decorações em papel e vai “começar a adquiri-los” em breve, mas grupos de ruas já inscritas já começaram a trabalhar: “Há ruas com plantas desenhadas, com ideias tiradas, muitas ruas já entraram em contacto connosco para requisitar algum tipo de papel para ensaios de decorações e moldes”.

A preparação e organização das Festas do Povo resultam do trabalho de “milhares de voluntários”, sobretudo dos moradores ou de familiares, e os momentos especiais são os serões.

“Durante o dia, quem pode vai fazendo alguma coisa, mas os serões, em que as pessoas se reúnem, com partilha e boa disposição, são a essência das festas. Enquanto fazem flores, cantam, riem e descontraem do trabalho. É muito trabalho, mas também é uma forma de escape”, relatou.

E, vincou, para os moradores, a recompensa deste trabalho “é o orgulho” e “o coração cheio” quando, com as ruas engalanadas, ouvem “aquele barulhinho dos papéis” e veem “as caras espantadas dos visitantes perante tanta beleza”.

Festas do Povo de Campo Maior para candidatar em 2021 ao "selo" da UNESCO

As Festas do Povo de Campo Maior passaram, em dezembro de 2018, a estar inscritas no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, estando ainda em curso o processo para a sua candidatura a Património Cultural Imaterial da Humanidade, pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).

“O processo está entregue” na Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) “em Paris”, França, e “será a candidatura portuguesa em 2021”, adiantou o presidente da Turismo do Alentejo e Ribatejo, António Ceia da Silva.

Também o presidente da Câmara de Campo Maior, João Muacho, revelou hoje à Lusa que “a candidatura a Património Cultura Imaterial mantém-se e deverá ser votada pela UNESCO, a nível internacional, no próximo ano”.

O processo relativo à sua candidatura a Património Cultural Imaterial da Humanidade, pela UNESCO, está em curso há alguns anos.

Segundo Ceia da Silva, que participou na conferência de imprensa que decorreu hoje em Campo Maior, a UNESCO “tem, neste momento, critérios mais rigorosos, atendendo à escolha e à opção de destinos mais do Novo Mundo do que propriamente da Europa e isso leva a que o processo” relativo a estas festas alentejanas “ainda não tenha sido analisado”.

“Mas o processo está concluído e será a candidatura de Portugal em 2021 e esperamos que a decisão do comité da UNESCO para o Património Cultural Imaterial seja relevante e constitua mais um importante ‘selo’ para o Alentejo e para o desenvolvimento e crescimento turístico da nossa região”, argumentou o presidente da entidade de turismo.

As Festas do Povo são “o maior evento que se realiza no Alentejo”, destacou Ceia da Silva, sublinhando a sua “expressão e dimensão internacional”, ao atrair também o mercado espanhol, defendendo que, este ano, devido ao novo coronavírus (Covid-19), esse fator tem mais relevância.

“O coronavírus e todo este processo está a causar problemas ao nível das viagens”, pelo que “ a questão da internacionalização e da conquista dos mercados longínquos será cada vez mais complexa durante este surto. Por isso, um evento que se traduza em mais uma aposta significativa no mercado nacional e no mercado espanhol é muitíssimo mais relevante este ano”, argumentou.

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