A Diretoria do Norte da Polícia Judiciária (PJ/Norte) apreendeu 255 quilos de "khat", um forte estimulante alucinogénio similar à anfetamina, numa operação desenvolvida no Aeroporto do Porto, informou hoje fonte policial.

A apreensão, consumada em março e só agora revelada, foi, segundo comunicado da PJ/Norte, “a maior apreensão de sempre desta substância em Portugal”.

Classificada como droga desde 1980

Em 1980, a Organização Mundial da Saúde classificou o “khat” como uma droga, que pode produzir dependência psicológica.

A substância em causa, cujo princípio ativo é a catinona, é um forte estimulante alucinogénio, que causa excitação e euforia.

Ainda de acordo com a polícia, a investigação do caso continua a desenvolver-se e levou já à detenção de duas pessoas, responsáveis em Portugal pela importação daquele produto, sendo a uma delas aplicada a prisão preventiva e à outra caução económica e apresentações semanais.

Os 255 quilos de “khat” foram apreendidos em colaboração com a Autoridade Tributária, no terminal de cargas do Aeroporto Francisco Sá Carneiro, no âmbito do combate ao tráfico internacional de estupefacientes.

Droga pode causar dependência psicológica

O produto, dissimulado em sacos de chá verde não fermentado, era proveniente da África Oriental e destinava-se ao mercado europeu, nomeadamente a países do norte da Europa, indica o comunicado.

A substância em causa, cujo princípio ativo é a catinona, é um forte estimulante alucinogénio, que causa excitação e euforia.

Trata-se de uma planta cultivada na África Austral e Oriental, que pode ser mascado, fumada, ou bebida como chá nos mercados ocidentais.

Em 1980, a Organização Mundial da Saúde classificou o “khat” como uma droga, que pode produzir dependência psicológica.

A PJ/Norte diz que em Portugal o consumo desta substância “não tem grande expressão”, mas contrapõe que é uma droga “muito procurada” nos Estados Unidos e em países do norte da Europa.

De onde vem o khat?

As folhas de khat são cultivadas nas montanhas do Corno de África, no sul da Arábia e ao longo da costa da África Oriental. Em algumas zonas da Etiópia, do Quénia, da Somália e do Iémen, há séculos que as folhas de khat são mascadas devido às suas propriedades moderadamente estimulantes e para muitos esse consumo é uma componente normal da vida em sociedade.

Tradicionalmente, o khat era sobretudo consumido pelos homens, em "festas do khat" comunitárias altamente ritualizadas. Ao fim de aproximadamente uma hora, o consumidor sente excitação fisiológica e euforia. Segue-se uma fase mais calma e introvertida, que dá lugar a uma "descida", que pode incluir agitação, irritabilidade e melancolia.

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Tradicionalmente, os padrões de consumo culturalmente integrado verificavam-se na proximidade das regiões de produção, inspirando a expressão artística na arquitectura, no artesanato, na poesia e em canções. Desde o final do século XIX, as sucessivas melhorias na infra-estrutura de transportes abriram novos mercados para o khat.

Mais recentemente, a migração em massa de pessoas do Corno de África tem estado associada à propagação do consumo de khat para os países vizinhos, a Europa e o resto do mundo. Os padrões de consumo contemporâneos tendem a ser menos formais e podem tornar-se mais excessivos.

É possível que este facto se deva à erosão dos factores culturais protectores que antes ajudavam a regular o consumo. Desconhece-se o número exacto de consumidores regulares de khat a nível mundial, mas as estimativas apontam para mais de 20 milhões.

Consequências do consumo?

Têm sido associados vários problemas somáticos e de saúde mental ao consumo de khat, mas a investigação sobre esta substância ainda é muito incipiente e há poucas informações sólidas sobre o assunto.

De um modo geral, o consumo moderado de khat não é considerado prejudicial, sendo os efeitos adversos graves, como os estados psicóticos induzidos pela substância, normalmente associados ao consumo excessivo.

O potencial de dependência da droga ainda é pouco conhecido e, embora essa dependência pareça ser, em regra, relativamente ligeira em comparação com outras substâncias psicoactivas, há consumidores que evidenciam padrões de consumo compulsivos semelhantes aos observados nos dependentes de estimulantes.

Cada vez surgem mais indícios de que o khat pode agravar problemas de saúde mental pré-existentes, bem como desencadear psicoses e comportamentos agressivos, sobretudo em pessoas com pré-disposição para tal.

O consumo crónico de khat tem sido associado a problemas de saúde graves, mas muitas vezes é difícil determinar o impacto relativo da droga propriamente dita face a outros factores de risco que também podem estar associados ao consumo, como o tabagismo, a má alimentação ou os resíduos de pesticidas.

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Entre as consequências somáticas negativas associadas ao consumo de khat figuram as seguintes: problemas nas mucosas, hipertensão, complicações cardiovasculares, úlceras no duodeno, disfunção sexual, toxicidade hepática e redução do peso dos recém-nascidos filhos de mães que mascam khat.

Globalmente, porém, os dados existentes não permitem extrair conclusões definitivas sobre a causalidade, e os argumentos favoráveis a possíveis utilizações medicinais também não foram analisados em pormenor. O que não há dúvida é que os profissionais de saúde que tratam membros das comunidades migrantes estão, muitas vezes, mal informados sobre os problemas de saúde que podem estar associados ao consumo desta droga.

As explicações são de João Goulão, presidente do Conselho de Administração do Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência (OEDT).

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