Idas regulares ao médico dentista e estar alerta para os sintomas são gestos que podem fazer a diferença, alerta João Braga, médico dentista do Best Quality Dental Centers (BQDC). "Numa consulta de medicina oral, o médico dentista efetua um exame visual de toda a cavidade oral e estruturas anexas, permitindo que lesões suspeitas sejam detetadas em fases precoces", explica.

"Com estas consultas é possível efetuar um rastreio da doença, identificar/tratar lesões potencialmente malignas, ensinar o paciente a efetuar o autoexame da cavidade oral", acrescenta.

As mesmas bactérias que causam periodontite têm um papel importante no desenvolvimento de cancro pancreático e cancro do trato gastrointestinal superior

Consultas que são ainda mais importantes nos pacientes de risco, "nomeadamente fumadores, pessoas com hábitos etílicos, pessoas regularmente expostas à radiação solar (cancro do lábio). E são também importantes para a educação e sensibilização da população para a problemática do cancro oral".

Quais são os principais sinais ou sintomas?

Os carcinomas da cavidade oral podem manifestar-se como uma mancha, de cor variável, geralmente branca ou avermelhada, uma massa mais ou menos endurecida ou uma úlcera que não cicatriza.

A maior parte das lesões são indolores na sua fase inicial, tornando-se progressivamente dolorosas.

São exemplo de sinais e sintomas: úlceras persistentes, áreas endurecidas, áreas de crescimento tecidular, lesões que não cicatrizam, mobilidade dentária, dor, parestesia (perdas de sensibilidade), disfagia (dificuldade em deglutir), lesões brancas e vermelhas, linfadenopatia (gânglios linfáticos aumentados).

Maior risco de doença

Porque a cavidade oral faz parte do organismo, "todos os seus problemas poderão afetar a saúde geral", reforça o médico. E há mesmo estudos recentes que indicam que aqueles que possuem uma má saúde oral têm maior probabilidade de voltar a sofrer de cancro oral.

"Está também comprovado que existe uma associação entre grandes níveis de placa bacteriana e morte prematura por cancro", refere, acrescentando ser compreensível, "já que as mesmas bactérias que causam periodontite (uma doença inflamatória que afeta as gengivas e tecidos que circundam o dente) têm um papel importante no desenvolvimento de cancro pancreático e cancro do trato gastrointestinal superior. A inflamação potencia alterações celulares, propagação de bactérias e fatores de virulência bacterianos por todo o corpo. Todos estes fatores podem ser preponderantes para o desenvolvimento de doenças oncológicas". Já para não falar do sistema imunitário, cuja "eficácia fica diminuída.

Doentes com cancro

No que diz respeito aos doentes já diagnosticados com cancro, também aqui a saúde oral é determinante. Segundo João Braga, os doentes oncológicos submetidos a tratamentos de quimioterapia e/ou radioterapia "sentem, na maior parte das vezes, alterações diversas na sua boca. Alterações que serão mais graves e desconfortáveis se o estado inicial de saúde oral do paciente não for saudável. Por este motivo, também, todos os pacientes deverão zelar pela sua saúde oral".

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De acordo com o especialista, "genericamente, e porque os efeitos dos tratamentos oncológicos variam muito de paciente para paciente, este deve ser mais rigoroso ainda na sua higiene oral diária. Deve usar uma escova suave e pasta fluoretada, fio ou fita dentária e um higienizador de língua. A utilização de colutórios deve ser aconselhada pelo médico dentista caso a caso. O paciente pode notar, devido a uma baixa de plaquetas e das células do sistema imunitário, um maior sangramento da gengiva, mas tal não deve inibi-lo de continuar a higienizar convenientemente porque, se o fizer, a saúde oral piorará e o aumento do sangramento é inevitável".

No que diz respeito à alimentação, o especialista do grupo BQDC aconselha que se evitem alimentos picantes, crocantes e ácidos, "dando preferência a alimentos moles e fáceis de mastigar, a fim de prevenir úlceras e feridas".

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Como prevenir?

Apesar da importância destes cuidados, João Braga considera que "atualmente, esta ainda é uma área negligenciada. Embora se observe, cada vez mais, o alerta por parte da equipa médica para a importância da saúde oral, penso que os doentes portugueses com cancro ainda não estão completamente sensíveis da sua importância para o seu tratamento e bem-estar. Há uma tendência para se preocuparem apenas com os problemas mais graves e negligenciar tudo o resto".

Para prevenir doenças oncológicas, para além de todos os conselhos no sentido de uma vida mais saudável, "as pessoas devem adotar cuidados diários de higiene oral (escovar os dentes e gengivas pelo menos duas vezes por dia, usar fio dentário e escovilhões, higienizar a língua) e efetuar visitas regulares ao seu médico dentista. Deve também ser evitada a exposição solar direta, adotado o uso de creme labial com proteção para a radiação solar e efetuada a vacinação contra o HPV".

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