A possibilidade de encerramento das salas dedicadas à covid-19 no Hospital Dr. Nélio Mendonça, no Funchal, foi avançada pelo secretário regional da Saúde e Proteção Civil na Assembleia Legislativa da Madeira, no decorrer do debate potestativo proposto pelo PSD sobre a vacinação contra a doença na região.

Respondendo ao deputado Paulo Alves (JPP), Pedro Ramos justificou a possibilidade com a baixa taxa de utilização daquelas salas hospitalares, que tem sido inferior a 10 doentes, não havendo internados na unidade de cuidado intensivos.

O líder parlamentar do PS, Rui Caetano, e a deputada do CDS-PP Ana Cristina Monteiro questionaram o governante sobre as medidas definidas face ao previsto fluxo de entrada de pessoas, entre os quais os emigrantes, na quadra natalícia.

Ana Cristina Monteiro referiu o problema da falta de reconhecimento de algumas vacinas contra a covid-19 administradas em países fora da União Europeia, nomeadamente na Venezuela, um dos destinos da emigração madeirense.

“A estratégia será a mesma”, declarou Pedro Ramos, acrescentando que aqueles que foram inoculados com vacinas não cientificamente reconhecidas têm de efetuar o teste antigénio à chegada e “se ficarem tempo suficiente fazem vacinação na região”.

Quanto ao líder da bancada socialista, o maior partido da oposição, que ocupa 19 dos 47 lugares no hemiciclo, criticou o que classificou como “cassete do pioneirismo colocada há muito tempo” nas medidas de combate à pandemia pelo executivo regional.

Porém, sublinhou, o arquipélago ainda não atingiu a imunidade de grupo (85% da população com a vacinação completa).

O problema das listas de espera na saúde - que, segundo o Serviço Regional de Saúde (SESARAM), incluem 118 mil atos médicos por realizar - foi outro ponto focado no debate.

O governante informou que o trabalho desenvolvido pela Comissão de Acompanhamento vai permitir “expurgar mais de 8.000 atos médicos”, exemplificando com o caso de um utente que tinha sete marcações para a mesma consulta.

O deputado único do PCP, Ricardo Lume, considerou que o Sistema Regional de Saúde (SRS) “tem vindo a piorar” na última década, acrescentando que há uma “estratégia de descapitalização para dar mais lucros ao negócio da doença”, beneficiando o setor privado.

Pedro Ramos assegurou que “o SRS será diferente a partir de 2021”, porque está previsto um “esforço hercúleo, com verbas que vêm da União Europeia”.

Entre outros aspetos, o secretário regional destacou que a Madeira apresenta “a mais baixa taxa de mortalidade” associada à covid-19 do país (0,6%) e é considerada uma “região verde, segura em termos sanitários”, o que tem permitido uma retoma económica “mais rápida”.

A região, sublinhou, nunca “negligenciou a pandemia” e atuou por antecipação.

O secretário destacou a importância da reorganização do SRS e alertou que “a pandemia ainda não acabou e pode prolongar-se por causa da incompetência, ignorância, desleixo, relaxamento e falta de colaboração dos cidadãos, o que pode ter resultados negativos”. Por isso, apelou à vacinação.

Ainda antes, a deputada do PSD Rubina Leal abriu o debate afirmando que as medidas adotadas no arquipélago permitiram que a Madeira “não colapsasse, como aconteceu com o resto do país”, neste contexto pandémico.

A social-democrata destacou que os “municípios estão em pé de igualdade” no processo de vacinação, que tem demonstrado ser “célere, justo e competente”, porque “não se perderam vacinas, nem se extraviaram doses”.

“Tudo foi possível sem apoio do Governo da República, que recusou dar um aval de 450 milhões de euros” de empréstimo à Madeira, afirmou.

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