“A análise mostra que os casos confirmados de covid-19 atualmente notificados são apenas uma fração do número total de infeções no continente”, disse a diretora regional da OMS para África, Matshidiso Moeti, durante uma conferência de imprensa virtual.

O estudo, que ainda não foi submetido à revisão por pares pela comunidade científica (uma avaliação por peritos externos), baseia-se em 151 outros estudos sobre seroprevalência – imunidade existente devido a infeção ou vacinação anterior – em África, publicados entre janeiro de 2020 e dezembro de 2021.

Segundo a investigação, a exposição ao vírus em África aumentou de 3%, em janeiro de 2020, para 65%, em setembro de 2021, o equivalente a cerca de 800 milhões de infeções, em comparação com os 8,2 milhões de casos oficialmente notificados nessa altura no continente africano.

No entanto, a seroprevalência documentada nestes estudos varia muito entre diferentes grupos demográficos – sendo mais elevada nas zonas urbanas e densamente povoadas e mais baixa nas zonas rurais e pouco povoadas – e grupos etários, com menos infeções entre crianças com menos de 09 anos do que entre adultos.

A exposição ao vírus foi também maior na África oriental, ocidental e central, de acordo com a OMS.

“Estes dados permitem-nos conhecer a situação real e colocam-nos em melhor posição para intervir”, disse Moeti.

Em comparação com os números africanos, a média global indica que as infeções reais são pelo menos 16 vezes superiores às comunicadas, o que significaria que mais de 45% da população mundial foi exposta ao vírus.

Contudo, como os estudos foram conduzidos ao longo de diferentes períodos de tempo, é difícil comparar resultados globais com resultados africanos.

A resposta à pandemia em África, segundo Moeti, foi marcada por uma maioria de casos (67%) assintomáticos, tornando a deteção difícil num continente onde os testes se concentravam em viajantes e pacientes que chegavam a centros médicos com sintomas.

“Esta sub contagem está a acontecer em todo o mundo e não é surpreendente que os números sejam particularmente elevados em África, onde há tantos casos sem sintomas” e casos ligeiros, com uma menor proporção de pessoas com fatores de risco como diabetes, hipertensão e outras doenças crónicas, de acordo com a OMS.

A este respeito, Moeti salientou que “os testes permitem-nos seguir o vírus em tempo real, monitorizar a sua evolução e controlar o aparecimento de novas variantes”, e apelou aos países para que aumentem os testes e a vigilância genómica do vírus.

Até à data, o continente registou cerca de 11,5 milhões de casos e mais de 252.000 mortes, de acordo com dados da OMS.

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