“Sabemos que com o aumento da transmissão na comunidade, temos alguns doentes que entram com teste negativo, mas podem eventualmente já estar infetados numa fase pré-sintomática”, referiu à agência Lusa o coordenador da Unidade de Prevenção e Controlo de Infeções e de Resistência aos Antimicrobianos (UPCIRA) do Centro Hospitalar e Universitário São João (CHUSJ), Carlos Lima Alves.

Na prática a medida visa reduzir o risco de existirem pessoas infetadas com o novo coronavírus internadas no hospital em áreas que não as dedicadas à covid-19 que foram admitidas em saberem da infeção.

Neste momento, o CHUSJ testa todos os doentes antes do internamento, mas algumas pessoas já infetadas registam os chamados “falsos negativos” por serem assintomáticas ou porque o organismo reage de diferentes formas à incubação do vírus.

Além da ausência de sintomas, o organismo pode não apresentar, no primeiro teste, ou seja no momento de admissão no hospital, uma presença do vírus em quantidade suficiente para que seja detetável.

“Esta situação seria rara quando na comunidade há pouca transmissão. Quando na comunidade começa a haver muita transmissão, começam a ser detetados casos positivos já no hospital (…). Às vezes aparecem-nos doentes ao sexto, sétimo, oitavo dia de internamento com sintomas. Testamos e são positivos [covid-19]. Queremos identificar precocemente esta situações e reduzir o risco de contágio”, descreveu à Lusa Carlos Lima Alves.

Questionado sobre já foram detetadas muitas situações como a descrita, Carlos Lima Alves revelou, a título de exemplo, que “na última semana terá sido detetada uma dezena” de casos.

“Ao se constatar que são positivos, são retirados do local onde se encontram para uma área covid-19. É esse risco que queremos reduzir ao máximo, o risco de contágio, uma vez que internados por outras doenças, mas infetados com o novo coronavírus sem o saberem, chegam a estar em contacto com não infetados”, salientou.

O coordenador do UPCIRA do CHUSJ avançou que realizar teste à covid-19 ao quinto dia de internamento significará que “todos os dias 40 ou 50 doentes”, de um universo de “cerca de 900 internados”, serão rastreados.

De acordo com o responsável, esta medida, “que não é obrigatória a nível nacional, ainda que existam recomendações internacionais que a aconselham”, vai ter reavaliada ao longo do tempo.

“Podemos vir a admitir que não encontramos muitos doentes e não se justifica repetir o teste. Mas neste momento achamos que o devemos fazer”, concluiu Carlos Lima Alves.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de 1,2 milhões de mortos em mais de 48,7 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, de acordo com dados de sexta-feira, morreram 2.792 pessoas dos 166.900 casos de infeção confirmados.

Também de acordo com dados de sexta-feira, o CHUSJ acolhia 140 doentes covid-19, 41 dos quais internados em cuidado intensivos.

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