O álcool é das drogas mais frequentemente consumidas pela humanidade. Desde a Antiguidade Babilónica e Grega há relatos de consumo de bebidas alcoólicas.

Para percebermos o motivo pelo qual ficamos mais ou menos vermelhas quando ingerimos bebidas temos que entender as suas diferenças e como são absorvidas e metabolizadas pelo nosso organismo.

As bebidas alcoólicas podem ser fermentadas: pela ação das leveduras sobre os sumos açucarados; ou destiladas, após a destilação do álcool produzido pela fermentação. As bebidas destiladas são mais graduadas que as fermentadas. Através de um processo de evaporação a sua graduação ainda pode aumentar mais. A graduação alcoólica de uma bebida é definida pela percentagem volumétrica de álcool puro nela existente. Por exemplo, uma aguardente com 40º significa que num litro tem 40% de álcool.

As bebidas alcoólicas apresentam características próprias como cor, sabor e aroma.

O que acontece depois de beber?

Após a ingestão, o álcool é rápido e totalmente absorvido pelo aparelho digestivo, sendo a maior parte da sua absorção no duodeno (cerca de 65%). No estômago, a velocidade de absorção depende de variáveis como por exemplo a presença de alimentos, temperatura da bebida, concentração de etanol, doenças preexistentes.

Do total consumido apenas 10% do álcool é eliminado, pelos pulmões, suor e urina. Os restantes 90% de etanol são metabolizados pelo fígado.

No fígado acontecem uma série de reações oxidação/redução para metabolizar o álcool. A primeira reação química é da responsabilidade da enzima álcool desidrogenase, transformando o álcool em acetaldeído. (Existem duas vias acessórias caso esta primeira enzima não esteja em pleno funcionamento - o que acontece por exemplo nos bebedores crónicos.) Depois será a enzima aldeído desidrogenase que irá oxidar o acetaldeído em acetato. Estes dois passos são fundamentais na transformação do acetaldeído.

O acetaldeído é responsável pela vasodilatação periférica. Logo quando se produz a mais no primeiro passo (transformação do álcool em acetaldeído) ou se acumula por déficit no segundo passo (transformação do acetaldeído em acetato) teremos um excesso de acetaldeído.

Quanto maior for a acumulação/excesso de acetaldeído, maior será a vasodilatação, pelo que maior será a intensidade de rubor facial.

A acumulação de acetaldeído tem várias variáveis como por exemplo:  tipo de bebida, grau de alcoolemia da mesma, rapidez de absorção, variabilidade enzimática, que motivam uma resposta individual à metabolização do álcool. Este é o motivo pelo qual algumas pessoas ficam vermelhas quando bebem bebidas alcoólicas.

Curiosidade

Quer a álcool desidrogenase como a aldeído desidrogenase têm diferentes formas genéticas. Relativamente a essa variabilidade enzimática sabemos que metade da população asiática tem ausência de um tipo de isoenzima aldeído desidrogenase, logo há uma acumulação de acetaldeído, motivo pelo qual esses asiáticos manifestam um rubor facial mais acentuado.

Um artigo da médica Patrícia Maia, especialista em Medicina Geral e Familiar e Coordenadora da Unidade de Medicina Geral e Familiar do Hospital Lusíadas Lisboa.

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