Quando falamos de diarreia convém esclarecer alguns conceitos que muitas vezes não estão claros na população.

A diarreia pode ser definida por um aumento na frequência das dejeções ou diminuição da consistência das fezes, sendo que a massa fecal deve ser superior a 200g/dia, rotineiramente considera-se diarreia mais de 3 dejeções/dia. Contudo, a definição de diarreia não é consensual, cabendo ao médico avaliar a sintomatologia. Devem valorizar-se quaisquer alterações ao normal funcionamento do intestino.

Se a duração da diarreia for inferior a duas semanas é classificada como diarreia aguda, enquanto que se ultrapassar as quatro semanas é classificada como diarreia crónica.

Na maioria dos casos, a diarreia aguda tem como causa infeções gastrointestinais, autolimitadas e de tratamento fácil. Por sua vez, a diarreia crónica, pode ter origem em diversas causas, que podem ir desde causas mais inofensivas como o síndrome do intestino irritável até a causas mais graves como os tumores do intestino.

Na diarreia aguda é essencial assegurar a reposição de líquidos.

E quando a diarreia persiste?

Sem dúvida, deve recorrer ao médico para uma avaliação cuidada. A avaliação justifica-se sempre que as situações não são ligeiras ou autolimitadas. Deve recorrer ao seu médico nas seguintes situações:

- Diarreia prolongada. Aconselha-se a procurar uma avaliação médica se a diarreia persistir por mais de 2 dias sem melhoria;

- Presença de sangue nas fezes;

- Vómitos;

- Emagrecimento acentuado;

- Dor abdominal;

- Sinais de desidratação, entre outros.

Uma das maiores dificuldades na avaliação de doentes com diarreia crónica é o grande número de causas possíveis. As causas possíveis vão desde o síndrome do intestino irritável, doença inflamatória do intestino (Doença de Crohn e Colite Ulcerosa); Intolerância à Lactose; Síndrome de Malabsorção; medicamentos e as neoplasias, entre outras.

O que vai fazer o seu médico?

Na avaliação da situação, o seu médico vai fazer uma história clínica e tentar apurar o início da diarreia, o padrão, a duração, o volume e características das fezes. Tentará perceber se existe uma relação entre o stress, alimentação e outros factores e a diarreia, bem como se existem outros sintomas associados, como emagrecimento, dor abdominal, entre outros.

Após tentar perceber o quadro clínico seguramente o médico solicitar-lhe-á alguns exames para melhor esclarecer e caracterizar a doença e chegar a um tratamento adequado, por exemplo, poderão ser solicitadas análises ao sangue, análises às fezes, ecografia abdominal, endoscopia digestiva alta e colonoscopia.

Todos os exames e procedimentos são realizados com total segurança pelo que não deve ter receio na sua realização. Estes são procedimentos importantes para encontrar o tratamento mais indicado para cada situação. O tratamento na diarreia crónica depende da causa da diarreia sendo, por isso, individualizado.

É de todo relevante salientar, que o actual contexto de pandemia que vivemos, nomeadamente na fase de confinamento, fez com que os doentes evitassem recorrer aos serviços de saúde, por receio de contágio. Contudo, os serviços de saúde adoptaram um conjunto de medidas de segurança, que garantem a adequada proteção dos doentes e profissionais. Caso tenha diarreia que persista, não hesite em procurar os cuidados de saúde e realizar os exames que lhe forem solicitados pelo seu médico. Lembre-se que uma avaliação atempada pode ser fundamental no tratamento e controlo de qualquer doença.

As explicações do médico Rui Ramos, especialista em Gastrenterologia no Hospital CUF Viseu.

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