Este entendimento representa um processo que dura menos de um segundo e vai da captação dos estímulos, passando pelos nossos filtros pessoais criados pela nossa experiência de vida, somado com o nosso estado atual de humor, motivação e funcionamento, criando, então uma resposta – comportamento ou pensamento - mais adaptativa ou menos adaptativa para nós.

Utilizando este processo na prática do dia a dia, podemos pensar uma viagem de comboio e imaginá-la de duas formas distintas.

Uma primeira viagem que, por ser para o trabalho, já não é motivadora, que pode ser uma experiência desconfortável, com condicionamento de espaço pessoal, onde ocorrem situações, muito vividas para nós, onde tudo o que acontece é descortinado ao detalhe, num processo de hiper-vigilância e consciência muito acentuadas de tudo e de todos, bem como dos processos internos, quase parecendo que a ansiedade surge e vai aumentando com o desconforto à nossa volta. É como se tudo incomodasse e nada pudesse melhorar a situação, apenas a chegada ao destino. O tempo da viagem parece ser muito superior ao que realmente é e cada segundo é sentido pelo próprio, levando a que seja mais difícil o tempo passar. Como se resume a uma má experiência, a próxima vez que andar de comboio irá lembrar-se desta experiência e condicionará o resultado da outra.

Por outro lado, uma segunda forma de andar de comboio poderá passar por pensar nesta viagem como única. Pode analisar os seus contornos, utilizando-os para contemplar o espaço, ver as pessoas, olhar pela janela e perceber o que vê, aceitando que existirão momentos onde pessoas virão contra si ou embaterão com as suas malas, pensando que no momento a seguir, tudo volta ao conforto inicial. Pode, até utilizar os sentidos para realizar estas coisas ou, mesmo, acrescentar outras, como ler um livro, ouvir música ou, simplesmente, sentir o que está à sua volta.

A diferença entre ambas as viagens é a forma como encaramos a situação e ajudamos a nossa estrutura psicológica a escolher os filtros que mais se adequam ao estado de espírito com que queremos entrar nesta viagem e como queremos sair dela.

Utilizar os nossos sentidos para contemplar o que nos rodeia é uma ótima forma de baixar o stress e a ansiedade negativos, permitindo a que boas sensações nos inundem e sejam ferramentas a usar para aproveitar, cada vez mais, o que acontece. Claro, existirão sempre situações mais desagradáveis e mesmo experiências que sempre se apresentaram a nós como boas, podem correr, por vezes, mal. Pode ser importante, uma vez mais, perceber cada experiência como única e interpretá-la, sempre, como tal.

Para isto, deve criar rotinas de respeito próprio e cuidado por si, aceitando que não pode mudar tudo e que, muitas vezes, coisas que não controlamos nos trazem situações inesperadas. Devemos olhar para elas da mesma forma, aceitando-as e trabalhando-as com os nossos sentidos, tornando-as mais adaptativas e agradáveis para nós.

Se a nossa mente tem truques próprios que podemos facilmente usar, porque não experimentar? Da próxima vez que andar de comboio lembre-se, olhe à sua volta, respire e sorria. A mente ajudará nos passos a seguir.

Tiago A. G. Fonseca - Psicólogo Clínico

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