A pandemia do novo coronavírus trouxe preocupações de saúde, mas também económicas. Apesar das ajudas por parte do Governo para que as famílias e as empresas pudessem fazer face a esta crise, tais como as moratórias de crédito, a verdade é que muitos portugueses sofreram cortes severos nos seus rendimentos e continuam a ter que suportar as suas despesas mensais.

E deve-se estar a questionar: “Mas com menos rendimentos, como é que posso ainda assim poupar?”. O segredo está em rever os seus ganhos e os seus gastos e perceber onde pode cortar.

Por exemplo, é possível viver com menos canais de televisão, com menos dados no telemóvel ou coberturas nos seguros, mas não é possível viver sem pagar o crédito habitação, sem entrar em incumprimento. Por isso, a dica-chave está em encontrar melhores condições e poupar milhares de euros através da transferência do crédito habitação.

Esta é uma boa altura para transferir o meu crédito?

Antes de avançar com esta transferência, é importante que analise alguns elementos para perceber se este é, ou não, o momento ideal para o fazer. Eis o que deve ter em consideração:

  • As taxas de juro

Não é só de spread que é constituído um crédito habitação. Uma proposta com o spread mais baixo, não vai ser necessariamente a mais barata, por isso é necessário (e importante) comparar a TAEG (Taxa Anual de Encargos Efetiva Global) e o MTIC (Montante Total Imputado ao Consumidor) nas várias propostas.

A TAEG e o MTIC são indicadores que ponderam todos os custos do crédito, ou seja, consideram não só os juros, mas também os restantes custos.

Em propostas com o mesmo montante e o mesmo prazo, a proposta com TAEG e MTIC mais baixos é aquela em que o cliente suporta menos custos com o empréstimo.

  • Os produtos associados ao seu crédito bancário

Na contratação de um crédito habitação, por norma, é lhe proposto por parte da entidade bancária, a aquisição de outros produtos em “troca” de um spread mais baixo ou de outros custos de créditos mais reduzidos. Falamos, por exemplo, de cartões de crédito, contas-poupança e seguros. No entanto, e parecendo que não, estes produtos podem estar a encarecer muito o seu crédito habitação. Se este for o seu caso, pondere a sua transferência, até porque, por exemplo nos seguros, é possível conseguir poupanças muito significativas.

  • O prazo do empréstimo

Prestações mais baixas ou créditos mais baratos? Esta é a questão a que se deve responder. Isto porque se por um lado um crédito com prazo mais longo terá prestações mais baixas do que numcom prazo mais curto, por outro lado, quando o prazo de reembolso é mais longo a amortização de capital é mais lenta e paga mais juros por ele. Isto numa situação onde o montante, a taxa de juro e as demais características do crédito são iguais.

Não existe uma opção melhor do que a outra. Tudo vai depender da sua preferência e das suas possibilidades. O importante é nunca comprometer o seu orçamento familiar e garantir que não entra em incumprimento. Nalguns casos, aumentar o prazo do empréstimo pode ser uma solução para conseguir fazer face a todos os encargos, uma vez que vai estar a reduzir a mensalidade com o crédito habitação, ainda que o custo final do empréstimo seja mais elevado.

  • Os ciclos económicos

A economia, ao longo do tempo, vai sempre sofrendo oscilações. Por isso, as condições que ontem pareciam as melhores, hoje podem não o ser. Os bancos têm hoje mais liquidez, têm carteiras com menos incumprimento e praticam spreads mais baixos (sensivelmente na casa dos 1%). Isto faz com que o crédito esteja mais barato e seja uma boa altura para fazer a transferência.

A somar a isto, a taxa Euribor continua a registar valores negativos, o que permite que a prestação mensal do crédito habitação seja mais baixa.

Quanto posso poupar?

A poupança varia de caso para caso, no entanto, é sempre garantido que só transfere para ter melhores condições do que aquelas que tem no momento. Imaginemos o caso de um crédito habitação com um spread de 2,75% e um valor em dívida de 130.000€ para pagar nos próximos 30 anos. Com a transferência, o proponente conseguiu ficar com um spread de 1% e passou a pagar de mensalidade 418,13€. Esta mudança resultou numa poupança de 1.350,96€ por ano e de 40.528,80€ no final do contrato. Mas, e tal como já mencionámos, nem tudo é spread, ainda foi possível gerar uma poupança mais significativa com a negociação dos produtos associados ao crédito.

Como posso calcular o que vou ganhar com a transferência do meu crédito?

Com a ajuda da Calculadora de Transferência de Crédito Habitação do Doutor Finanças já é possível calcular quanto é que pode poupar e verificar se a opção que lhe estão a indicar é mais vantajosa para o seu caso.

Para utilizar esta ferramenta deve ter presente as características do seu atual crédito habitação e do crédito que pretende, nomeadamente:

  • Montante em dívida;
  • Spread;
  • Prazo.

Ao preencher estes dados vai obter a comparação entre a sua prestação atual e o valor da sua nova prestação, bem como a poupança gerada.

Esta calculadora mostra-lhe ainda o valor total de juros do empréstimo atual e o total de juros do novo, dando-lhe ainda indicação da poupança total com juros ao transferir o empréstimo da sua casa.

Finalizamos com uma dica muito importante para poupar: combata a inércia e procure saber se pode melhorar as suas condições e poupar com o seu crédito habitação. Deixe de lado o pensamento de que “é só um euro”. Veja o dinheiro que pode gerar ao multiplicar esse mesmo euro. No fim de contas, o esforço de analisar o seu crédito vai compensar.

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