A recuperação de castas perdidas, abandonadas ou indesejadas, ou técnicas desaparecidas têm sido uma das marcas do enólogo António Maçanita que conta no currículo com um primeiro vinho que se engarrafou da casta da Negra Mole, no Algarve, o primeiro Branco de Talha no Alentejo. Podemos, também hoje, provar castas únicas como Tinta Carvalha, Alicante Branco ou Trincadeira das Pratas também no Alentejo.

Ainda entre os trabalhos a destacar de António Maçanita, aqueles que fez com os vinhos dos Açores, primeiro na recuperação da casta Terrantez do Pico e, depois, na casta Arinto dos Açores e agora a atenção dada às vinhas velhas.

António Maçanita vira-se agora para a ilha do Porto Santo, a mais antiga do arquipélago madeirense, que terá emergido do fundo oceânico há 14 milhões de anos. Se no Pico os solos são vulcânicos e ácidos, no Porto Santo trata-se do oposto, calcários e básicos. As vinhas no Porto Santo impressionam, rasteiras sobre a areia, formando uma paisagem singular. Se no Pico as vinhas são protegidas pelos currais, muros de pedra negra vulcânica, no Porto Santo estão resguardadas por muros de crochet, com pedra calcária branca.

Enólogo português “navega” até à ilha de Porto Santo à descoberta de castas perdidas

Para os novos vinhos Listrão dos Profetas 2020 (1300 garrafas), Listrão dos Profetas – Vinho da Corda 2020 (450 garrafas), Caracol dos Profetas 2021 (4000 garrafas), o desafio lançado a António Maçanita veio de Nuno Faria, sócio do restaurante 100 Maneiras, madeirense e com história no Porto Santo, onde passa férias desde pequeno.

Quando confinado durante o início da pandemia na ilha, Nuno Faria partilhou com António Maçanita o encantamento por estas vinhas rasteiras de muros brancos.

Para produzir estes vinhos foi necessário convencer os produtores locais a avançar nesta aventura e foi o Sr. Cardina o primeiro a alinhar e permitir que se utilizassem as uvas das suas vinhas com mais de 80 anos para a produção do primeiro vinho.

As castas tradicionais da ilha do Porto Santo também são únicas e diferentes de quaisquer outras em Portugal e são o Listrão, partilhado com as ilhas Canárias, onde é conhecida como “Listan Blanco” e a casta Caracol ainda de origem incerta.

Neste âmbito, nasceram os três mais recentes rótulos de António Maçanita, fruto desta aventura e viagem à ilha do Porto Santo e para a qual foi criada a empresa Companhia de Vinhos dos Profetas e dos Villões. O nome é uma alusão clara às alcunhas entre ilhas, Profetas é como os madeirenses chamam aos porto santenses e Villões (lê-se Vilhões) o que os habitantes de Porto Santo chamam aos madeirenses.

Listrão dos Profetas 2020 tem como preço de vanda aconselhado os 49,5 euros. Listrão dos Profetas – Vinho da Corda 2020 orça os 51,3 euros. Por seu turno, o vinho Caracol dos Profetas 2021 custa 19,5 euros.

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