O conceito de envelhecimento e a forma como se encara o mesmo tem sofrido alterações ao longo dos tempos. Com diferenças culturais, podemos dizer que passámos da imagem de respeito e sabedoria do idoso, para a imagem de “inutilidade” associada ao terminar da sua carreira profissional e como tal do seu contributo produtivo para a sociedade. De uma forma geral, começou-se a enaltecer a juventude e tudo o que a ela está associado, fazendo com que a imagem do idoso nunca mais voltasse a ser tão positiva como em tempos anteriores. E com estas perceções, estas ideias, surgem também estereótipos relativos ao envelhecimento e às faixas etárias mais velhas que são precisos combater. É de idadismo que falamos, ou seja, do preconceito relacionado com a idade, ao qual, felizmente a sociedade começa a estar mais sensível. Também porque se começou a alterar o paradigma e a encarar o envelhecimento não apenas na idade mais avançada, mas desde sempre… desde que nascemos. Pois é desde esse momento, que todos os dias estamos a envelhecer, e este é um processo natural da vida, pelo qual, se tivermos esse privilégio (infelizmente nem todos chegamos a “velhos”), iremos passar.

Esta mudança começa até nos nomes dados… de velhos, passámos a designar por idosos e mais recentemente por seniores. Embora sejam questões conceptuais, e em que as opiniões divergem, quanto à melhor nomenclatura a atribuir às faixas etárias de idade mais avançada ou, se quisermos ver de outra perspetiva, menos jovens da população; essa preocupação reflete já a sensibilidade e necessidade de retirar conotações negativas ao envelhecimento.

Mas que conotação atribuem as gerações mais novas aos mais velhos? Que ideias pré-concebidas têm em relação aos seniores? Serão assim tão negativas? E se forem, de que forma podemos alterar estas perceções?

Segundo alguns estudos, as perceções dos mais jovens até não são assim tão negativas, embora ainda sejam influenciadas por estereótipos relacionados, por exemplo, com o uso das novas tecnologias por parte dos idosos, ou a sua capacidade de regressar aos estudos, ao trabalho. No entanto, quando se desenvolvem projetos intergeracionais, rapidamente esses estereótipos são desconstruídos. O convívio intergeracional traz benefícios para ambas as gerações, que se aproximam e verificam que a questão da idade, muitas vezes, é apenas um marco cronológico e não uma barreira para a realização de atividades, para a aquisição de novos saberes e aprendizagens, para enfrentar novos desafios, a não ser, claro que exista patologia e outras limitações associadas, mas que também podem surgir nos mais jovens.

Num desses mais recentes projetos intergeracionais que a ESTIMA + teve a oportunidade de desenvolver entre crianças do 1º ciclo e seniores frequentadores de Espaços Seniores, o POSITIVA(MENTE), foi evidente o espanto das crianças com o desembaraço dos seniores na utilização das novas tecnologias. De referir, que no caso de muitos, o desempenho nas novas tecnologias foi aprimorado por necessidade face às limitações impostas pela pandemia, sendo uma das formas de contacto com o “mundo” que os rodeia. Também os seniores ficaram agradavelmente surpreendidos com o carinho e respeito com que foram acolhidos pelas crianças. Foram visíveis o entusiasmo e a alegria de ambas as gerações, nos breves momentos que contactaram, e ainda por cima, à distância, online, visto que as restrições da pandemia não permitiram ainda, neste ano letivo que terminou, os convívios presenciais. Imaginem, então, o impacto que estas atividades e desafios terão quando puderem estar lado a lado, a partilhar vivências e saberes, fazer novas aprendizagens, a sentirem-se úteis e acarinhados, criando laços que perduram, criando memórias afetivas que nos ajudam a dar significado à vida.

Por isso reforço, é essencial despertar as escolas para a importância e necessidade de incluírem nos seus projetos educativos, espaço para projetos e atividades intergeracionais que permitam o convívio saudável e benéfico entre gerações e que ajudem a combater o idadismo.

Num país envelhecido, importa reconhecer as potencialidades dos mais velhos e contrariar a imagem negativa que se criou do envelhecimento e de ser velho como sinónimo de doença, inutilidade e/ou um peso para a sociedade, mostrando aos mais novos a sabedoria e experiência de vida que podem enriquecer as gerações mais jovens e derrubar os obstáculos de comunicação entre as diferentes gerações.

É importante perceber que o envelhecimento faz parte da vida desde que nascemos e que o devemos preparar ao longo de toda a vida, encarando-o como um privilégio, negado a alguns e não como um “castigo” ou um sacrifício ou uma coisa má.

Só juntos conseguiremos combater o idadismo e aprender a apreciar os encantos de cada faixa etária! Esse pode ser o “segredo” de um envelhecimento saudável, ativo e sem preconceitos.

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