Quando analisamos as diferenças entre sexos no que às doenças mentais diz respeito, há que ter alguns cuidados, nomeadamente o facto de ser universalmente reconhecido que os homens procuram menos frequentemente os cuidados de saúde mental, o que não significa ausência de necessidade.

Não é, por isso, surpreendente que as mulheres apresentem taxas de tratamento e probabilidade de procedimentos terapêuticos adequados superiores aos homens, para todas as perturbações psiquiátricas. Estes dados poderão, portanto, refletir um subdiagnóstico ou diagnóstico tardio de algumas perturbações no homem.

Importa, a título de exemplo, referir que apesar de as tentativas de suicídio serem mais frequentes em mulheres, o suicídio consumado ocorre com mais frequência nos homens, sendo que a depressão continua a ser a principal causa de suicídio.

Peça ajuda

Se tem sintomas de depressão ou tem pensamentos de suicídio, utilize o Serviço de Aconselhamento Psicológico, integrado na linha telefónica do SNS 24, através do 808 24 24 24.

Pode ainda recorrer às linhas de apoio em baixo

SOS VOZ AMIGA

Horário: Diariamente das 15:30 às 00:30
Contacto Telefónico: 213 544 545 | 912 802 669 | 963 524 660

CONVERSA AMIGA

Horário: 15:00 – 22:00
Contacto Telefónico: 808 237 327 | 210 027 159

VOZES AMIGAS DE ESPERANÇA DE PORTUGAL

Horário: 16:00 – 22:00
Contacto Telefónico: 222 030 707

TELEFONE DA AMIZADE  

Horário: 16:00 – 23:00
Contacto Telefónico: 222 080 707

VOZ DE APOIO

Horário: 21:00 – 24:00
Contacto Telefónico: 225 506 070
Email: sos@vozdeapoio.pt

Apesar disso, a evidência sugere, até agora, que algumas perturbações mentais sejam mais frequentes nas mulheres. É o caso da depressão, algumas perturbações de ansiedade e distúrbios alimentares, versus uma maior prevalência de perturbações de controlo do impulso e comportamentos aditivos no homem. Importa, por isso, salientar que em Portugal, a prevalência de depressão nos homens estará entre os 2 e 3% e nas mulheres entre os 5 e 9%.

Fatores hormonais exclusivos do sexo feminino

Relativamente à depressão e ansiedade, existem alguns fatores hormonais exclusivos do sexo feminino que parecem ser muito importantes na génese e no aumento do risco destas patologias na mulher. Neles incluem-se as alterações nas hormonas sexuais ao longo do ciclo menstrual e da vida, que podem causar flutuações em ansiolíticos endógenos (como a serotonina); e também a resposta atenuada do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal ao stress na mulher.

Este último, apesar de poder representar um “avanço evolutivo” por permitir proteger o feto dos efeitos adversos do stress materno, confere um maior risco de ansiedade e depressão, estando também associado a sintomas atípicos e neurovegetativos da depressão, mais frequentes em mulheres (aumento do apetite, aumento das necessidades de sono, fadiga).

Por isso, a adolescência, o período pré-menstrual, o pós-parto e a menopausa são fases de particular risco de desenvolvimento destas perturbações psiquiátricas. Outros agentes importantes e mais comuns na mulher, como a baixa autoestima e uma maior tendência a ruminações e preocupações com a imagem corporal contribuem para este estado, nomeadamente fatores internos favoráveis ao aumento dos níveis de stress.

Maior risco de abuso ou discriminação

Finalmente, mas não menos relevante, há o facto de as mulheres serem, ao longo de todas as fases da vida, mais frequentemente vítimas de algum tipo de abuso ou discriminação. São particularmente importantes temas como a violência e abuso sexual na infância, que podem inclusivamente interferir com o normal neurodesenvolvimento da criança, aumentando o risco de múltiplas doenças psiquiátricas. Também a maior existência de casos relacionados com mulheres vítimas de violência doméstica e discriminação de género a vários níveis (trabalho, social, familiar) contribuem para um aumento do risco de depressão e ansiedade.

Como perspetiva futura, importa que os estudos científicos tentem, cada vez mais, investigar as diferenças existentes quanto ao sexo e género no desenvolvimento de doença mental, pois alguns desses fatores poderão ser alvos de estratégias específicas de prevenção e terapêutica.

Um artigo da média Filipa Moutinho, Psiquiatra no PIN (Partners in Neuroscience).

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