Uma das realidades mais assustadoras para os novos pais é que a morte súbita ou inexplicada no ambiente de sono é a principal causa de morte de crianças até aos 12 meses de vida. Apesar de não se saber exatamente o que está na base do chamado Síndrome de Morte Súbita do Lactente (SMSL ou SIDS, em inglês), sabemos que resulta de uma combinação de fatores biológicos e ambientais.

Para a maioria de nós, pais, conseguir que os nossos bebés durmam (e se alimentem) bem é provavelmente o principal objetivo durante os primeiros meses de vida. Frequentemente, os pais sentem-se tanto mais confiantes na sua parentalidade quanto melhor dormem os seus bebés.

Nesta fase tão exigente, somos atormentados não só pela privação de sono, mas também pela possibilidade de que os nossos preciosos filhotes possam perecer súbita e inexplicavelmente durante o sono. Para piorar a situação, pais exaustos têm maior probabilidade de adotarem práticas de sono perigosas.

Na Mayubaby acreditamos numa abordagem mais positiva à parentalidade. Livre dos sentimentos de culpa que frequentemente assombram os jovens pais, inclusive no que diz respeito às recomendações de sono seguro para bebés no primeiro ano de vida.

Neste artigo, vamos guiá-la(o) pelas recomendações mais atuais para o sono infantil, sem a(o) aterrorizar ao ponto de a(o) levar à insónia crónica.

Começando pelo básico.

Dormir é perigoso para os bebés?

Não. Definitivamente não.

Vamos então quantificar este risco. Em 2009, as taxas reportadas de SMSL variavam entre 0.09 em cada 1000 bebés (0.009%) no Japão, o país com taxas mais baixas, a 0.8 em cada 1000 bebés (0.08%) na Nova Zelândia, o país com taxas mais elevadas.

Para clareza, estes números são muito baixos.

Para além disso, o número de casos tem diminuído consistentemente desde os anos 90, após várias campanhas de consciencialização dos pais terem sido implementadas em diferentes países.

Portanto, a probabilidade desta tragédia lhe acontecer a si ou a alguém que conhece é extremamente baixa.

Dito isto, outro facto importante é que a vasta maioria de mortes por SMSL são evitáveis, pelo menos em bebés saudáveis.

Apesar da sua natureza multifatorial, sabemos que esta situação está principalmente relacionada com sufocação acidental e sobreaquecimento, pelo que tomar algumas medidas simples pode melhorar muito significativamente as condições de segurança dos bebés no ambiente de sono, e reduzir a ocorrência da morte súbita a valores ainda mais próximos de zero.

O guia que se segue baseia-se nas recomendações atuais da Associação Americana de Pediatria (AAP) e validadas pela Sociedade Portuguesa de Pediatria (SPP).

1. Deite o seu bebé de costas

Durante o primeiro ano de vida, deite SEMPRE o seu bebé de costas, tanto nas sestas como durante a noite.

As posições de lado ou de barriga para baixo não são seguras.

Só por si, esta medida contribui muito para reduzir o risco de SMSL, pelo que tem a máxima prioridade nas recomendações da AAP.

Alguns pais receiam que colocar o bebé de costas possa aumentar o risco de engasgamento no caso de o bebé bolsar. No entanto, os estudos científicos não apoiam de todo esta preocupação, muito pelo contrário. Bebés saudáveis são perfeitamente capazes de engolir o cuspir fluidos.

Esta recomendação aplica-se também a bebés com refluxo.

Utilizar a técnica da envolta (swaddling) ou, como eu costumo dizer, do “bebé burrito”, pode ser uma forma eficaz de acalmar um bebé agitado e encoraja-lo a dormir de costas. Atenção, nunca deite um bebé embrulhado de barriga para baixo.

Quando os bebés se começam a conseguir virar, está na altura de eliminar a envolta e substituir por um saco de dormir. Nesta fase, continue a deitar sempre o seu bebé de costas, mas se ele se virar sozinho não se preocupe. Significa que já tem competências para o fazer e para procurar uma posição confortável para dormir.

2. Utilize uma cama ou berço apropriado

Deite o seu filho num colchão firme numa cama ou berço apropriado e dedicado para o efeito.

Superfícies moles aumentam significativamente o risco de SMSL. O colchão deve ser firme, liso e dimensionado corretamente para o berço/cama, não devendo existir espaços entre o colchão e os lados do berço. O colchão deve ainda ser coberto apenas com um lençol de baixo com elástico e sem folgas.

Nunca deixe o seu bebé dormir num colchão de água, sofá ou cadeirão. Estes ambientes não são seguros para dormir.

Evite que o seu filho durma por sistema em baloiços, espreguiçadeiras, cadeiras do carro, ovo, ou mesmo no carrinho de passeio. Estes ambientes não são dedicados para o sono e não devem ser utilizados rotineiramente, sendo que a prática é particularmente perigosa para bebés com menos de 4 meses. A AAP recomenda que um bebé que tenha adormecido num destes produtos seja gentilmente transferido para o berço ou cama, assim que seja possível.

3. Destape a cabeça do bebé

Até ao primeiro aniversário da criança, não a deite com gorros, babetes ou fraldas de pano. Não utilize roupa de cama como lençóis, cobertores, edredons ou almofadas. Retire todos os elementos moles do berço, tais como bonecos de peluche e protetores de grades.

Qualquer elemento mole ou solto no berço é um fator de risco para SMSL.

Os bebés devem dormir numa envolta (antes dos 6 meses ou até se conseguirem virar independentemente) ou num saco de dormir.

Certifique-se que a cabeça e as vias aéreas do bebé estão sempre destapadas durante o sono.

4. Partilhe o quarto, não a cama.

Manter o bebé no seu quarto, no berço e ao lado da sua cama durante os primeiros 6 meses ajuda a diminuir o risco de SMSL. É mais seguro que dormir sozinho ou na cama dos pais.

Partilhar a cama com o bebé é um tópico altamente controverso. Por um lado, deve ter-se em conta o aspeto prático para pais exaustos que têm que alimentar e consolar os seus filhos, múltiplas vezes durante a noite. Por outro, existem dados contraditórios que sugerem que dormir na cama dos pais pode ser benéfico para a amamentação prolongada.

No entanto, a maioria dos peritos concorda que os benefícios de partilhar a cama com bebés pequenos não superam os riscos de sufocação acidental, pelo que esta prática é desencorajada.

Mantenha o seu filho perto de si, no seu quarto, com o berço junto ou ligado à sua cama (estilo next-to-me), mas evite trazer o bebé para a sua cama se houver o risco de adormecer com ele.

Produtos anunciados como “seguros” para partilhar a cama com o seu bebé não foram investigados corretamente no que diz respeito a eficácia ou segurança.

5. Evite o sobreaquecimento

Estar ligeiramente frio pode deixar o seu bebé desconfortável e acordá-lo quando o sono está mais leve, mas sobreaquecer o seu filho aumenta grandemente o risco de SMSL.

Mantenha o quarto do bebé fresco, com uma temperatura entre os 18 e os 21ºC e vista o seu filho apropriadamente com camadas e utilizando uma envolta ou saco de dormir, consoante a idade.

O bebé deve estar confortável e não quente. É frequente os bebés terem as mãos frias, o que não quer dizer que estejam com frio. Se colocar o dorso da sua mão na nuca ou no tronco do bebé poderá avaliar facilmente se ele está muito aquecido.

No caso de o bebé ter febre, as roupas devem ser aligeiradas para evitar o sobreaquecimento.

Veja esta solução de sono e este guia sobre como vestir o seu bebé para dormir em diferentes temperaturas.

6. Ofereça uma Chupeta

Oferecer uma chupeta ao deitar nas sestas e durante a noite pode reduzir o risco de morte súbita em 50%.

As chupetas são muito tranquilizadoras para os bebés pois satisfazem o reflexo inato de chuchar e a proteção contra a morte súbita parece manter-se mesmo que a chupeta caia durante o sono, desde que seja oferecida ao deitar.

Mais ainda, os estudos científicos mais recentes descredibilizam a ideia de que a utilização de chupeta interfere com a amamentação, deste que esta esteja bem estabelecida, o que acontece tipicamente nas 3-4 semanas após o parto.

7. Cuidado com os produtos promovidos como protetores de SMSL.

A maioria dos produtos e aparelhos que são promovidos como protetores contra a morte súbita não foram adequadamente validados. Incluem-se nesta categoria monitores de respiração, berços seguros, posicionadores de berço, almofadas, ninhos, cadeiras e restantes dispositivos.

Utilize o bom senso e evite recorrer a produtos comerciais que são inconsistentes com as recomendações para um sono seguro.

8. Brinque com o bebé de barriga para baixo

Quando o bebé estiver acordado e supervisionado, pode e deve oferecer-lhe amplas oportunidades de praticar as suas competências motoras, colocando-o de barriga para baixo para brincar. Esta atividade irá ajudar a fortalecer os músculos do pescoço e das costas.

Deve, então, ensinar o seu bebé a dormir de barriga para cima e a brincar de barriga para baixo. Muitos bebés demonstram desconforto ao serem colocados de barriga para baixo durante o dia. Pode reforçar esta atividade diariamente, encorajando o seu bebé a passar períodos cada vez mais longos nesta posição.

9. Evite fumar, tomar álcool ou drogas

Não exponha o seu filho ao fumo de cigarros (direto ou indireto) e evite tomar bebidas alcoólicas ou drogas ilícitas durante a gravidez e após o parto.

10. Assegure os cuidados de saúde

Leve o seu bebé ao medico ou pediatra para as visitas regulares recomendadas e vacine o seu filho de acordo com o plano nacional de vacinação.

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