Estamos a viver uma altura menos positiva das nossas vidas, na qual temos o dever de nos proteger e a quem nos rodeia. Essa proteção consiste em fazermos algo que é difícil para o ser humano: diminuirmos a nossa interação com o outro.

Algumas pessoas poderão não ser tão afetadas, mas outras pessoas podem não saber lidar tão bem com isso e é compreensível: além do ser humano, ser um ser social e as interações sociais serem importantes para a sua saúde mental, este também precisa das suas rotinas e quebrá-las pode ser um problema.

É pedido que fiquemos em casa e, parecendo que não, isso tem grandes implicações no nosso dia-a-dia. Numa altura em que crianças, adolescentes, adultos e idosos que alteram, forçosamente, a sua rotina, deixando de ir à escola e/ou de trabalhar (ocupações que ocorrem durante a maioria do nosso dia) é importante mantermo-nos ativos e não deixarmos de ter um equilíbrio ocupacional.

Mas o que é isto de equilíbrio ocupacional?

É algo que já fazemos, no entanto, não damos conta da sua importância. É a existência de um balanço nas coisas que fazemos no nosso dia-a-dia (ocupações) e que leva à sensação de bem-estar: por exemplo, para existir equilíbrio ocupacional deverá haver uma harmonia entre os autocuidados (tomar banho, vestir/despir, alimentação, etc), a produtividade (trabalhar, voluntariado, atividades que contribuam para a sociedade) e o lazer (fazer coisas que gostamos).

A produtividade será o que terá maior impacto nesta fase das nossas vidas, algumas pessoas estarão a trabalhar a partir de casa, outras estarão a ter aulas online e a estudar… outras simplesmente não estarão a fazer nem uma, nem outra coisa pois não têm essa possibilidade, quer seja pela inexistência de tecnologia para tal, quer seja porque o seu trabalho não pode ser realizado via computador. Então o que é que se faz com o tempo “extra”, aquele tempo que antes era utilizado para se ser produtivo?

Não devemos deixar de o preencher com coisas produtivas, uma vez que depois será mais difícil voltar à rotina anterior e, se calhar, está na altura de pegar naquela “lista” de coisas que sempre quis fazer, mas não tinha tempo.

equilibrio ocupacional
créditos: AFID Diferença

Aqueles projetos pessoais e profissionais que sempre idealizou mas nunca conseguiu parar um bocadinho para poder criá-los, as alterações a uma divisão da casa que antes não eram possíveis porque o tempo em casa era escasso, ler aqueles livros que foram comprados mas que nunca foram lidos e estão parados na estante há séculos, aprender a cozinhar certos pratos, organizar a casa (algo que por vezes se torna difícil pelas rotinas cansativas), fazer o exercício que nunca temos tempo para praticar.

Se viver com a sua família, é uma excelente altura para aproveitar esse tempo em conjunto e, quem sabe, cada elemento ficar responsável por cada área em que se querem focar nesta altura.

Parecendo que não, infeliz e felizmente, esta é uma boa altura para criar novos hábitos e rotinas que depois poderão fazer parte do seu futuro e tornar a sua vida, acima de tudo, mais prazerosa e feliz.

Utilize este tempo para garantir que existe um equilíbrio ocupacional na sua vida. Cada pessoa tem a sua fórmula, mas no fim, todas deverão dar o mesmo: equilíbrio ocupacional = bem-estar e qualidade de vida.

E como Flávio Cristóvam e Pedro Varela diziam na sua obra: “Andrà Tutto Bene” ou, em português, “Vai Ficar Tudo Bem!”.

Autor: Margarida Barros Amaral/Terapeuta Ocupacional do Centro de Atividades Ocupacionais da Fundação AFID Diferença.

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