A paixão pelas questões ambientais

Aos 73 anos o Príncipe de Gales pode ser apontado como um dos membros da realeza que tem, de forma ativa e ao longo de grande parte da sua vida, lutado pelo meio ambiente. Esta é uma paixão que vem de família uma vez cresceu a ver o pai, o duque de Edimburgo, defender diversas causas em que acreditava, como era o caso da preservação ambiental e a vida selvagem.

O jovem príncipe partiu do exemplo de Philip para traçar o seu próprio caminho e tornar-se numa figura central no combate às alterações climáticas e proteção do planeta. Mas o interesse por green issues não começou agora. Desde cedo que o jovem príncipe mostrou ter uma grande sensibilidade para as questões ambientais, como explicou, em 2018, num vídeo publicado no canal de Youtube da Família Real.

"Lembro-me de há muitos anos, na década de 1960, quando ainda era um adolescente, importar-me muito com tudo o que se estava a passar, a destruição de tudo. O arrancar das árvores e arbustos, a drenagem de terrenos cobertos por água. A destruição de habitats. A destruição do centro das nossas vilas e cidades e este progresso e tecnologia extremos que levam à exclusão da natureza e daquilo que nos rodeia, e também esta determinação em derrotar a natureza e suprimir tudo o que tem a ver com ela."

O primeiro grande discurso

A 19 de fevereiro de 1970 fez o seu primeiro discurso sobre a questão ambiental, onde a poluição e as suas consequências para o meio ambiente foi um dos temas centrais por si abordados.

"Devem existir poucas pessoas que nunca ouviram falar em ‘conservação’ ou ‘poluição’ ou ‘ambiente’ ou em termos horríveis como ‘ecologia’ e ‘bioesfera’. Mas será que sabem o que significam? O Dr. Frank Fraser Darling disse recentemente que tinha medo que ‘as pessoas se cansassem da palavra ecologia antes de saberem o seu significado’. Eu acho que existe um perigo real de isto acontecer – de ser algo temporário que atinge um excesso de atenção e que depois perde dimensão rapidamente", disse na época da sua intervenção no Countryside Steering Committee, no País de Gales.

Em 2018 refletiu sobre este discurso numa entrevista à Vanity Fair, dizendo por se ter sentido incompreendido por muitas pessoas levou-o a trabalhar ainda mais arduamente nesta causa. "Um dos meus deveres tem sido encontrar soluções para os desafios que enfrentamos em relação à aceleração da crise climática... Contudo, demora-se muito tempo a alertar as pessoas para a magnitude deste desafio. Há mais de 40 anos lembro-me de fazer um discurso sobre os problemas do plástico e outros desperdícios, mas naquela altura ninguém estava interessado e fui considerado antiquado, desatualizado e ‘anti-ciência’ por alertar para essas questões."

As mudanças no seu estilo de vida

Após adquirir a propriedade Highgrove House, esta foi a oportunidade perfeita para o Príncipe de Gales pôr em prática a sua visão. Consciente dos benefícios da comida orgânica e das práticas agrícolas biológicas para a sáude e para o ambiente, converteu a Duchy Home Farm, em Highgrove, numa quinta orgânica. É de salientar que, em 1986, este espaço foi repensado pelo filho de Isabel II de forma a privilegiar um sistema agrícola biológico alicerçado em práticas mais amigas do ambiente.

Tal como referiu numa mensagem dirigida ao The Organic Center, o seu desejo é que este espaço "possa ser um exemplo para os outros do que pode ser feito. É a prova viva de que é perfeitamente possível produzir comida, com excelente rentabilidade e sem o uso de pesticidas, fertilizantes artificiais, antibióticos promotores de crescimento ou organismos geneticamente modificados". O Príncipe de Gales vê, neste tipo de agricultura, "a solução para a segurança alimentar e escassez, para a crise climática e acredito que o futuro dos nossos netos está no agricultor sustentável que trabalha em harmonia com a natureza, que capta algo de bom através do solo saudável, das colheitas e dos animais saudáveis e que, ao fazê-lo, fornece comida saudável", disse em março de 2009.

O passo seguinte foi a criação da Duchy Originals, uma marca pioneira de produtos orgânicos lançada em 1991 e que, passados 20 anos, é considerada uma referência no Reino Unido. É de salientar que todos os produtos são produzidos a partir de ingredientes naturais oriundos da Duchy Home Farm. Em 2009 a marca foi adquirida pela cadeia de supermercados Waitrose e rebatizada como Waitrose Duchy Organics, sendo que todos os lucros revertem para The Prince Charitable Fund (PWCF).

Para além disto, a propriedade tem a preocupação de usar fontes renováveis de energia, como é o caso de um sistema de aquecimento a biomassa, painéis solares fotovoltaicos para a conversão de luz solar em energia elétrica e painéis solares térmicos para o aquecimento de água, refere o site oficial de Highgrove.

É de destacar que estes princípios sustentáveis se estendem aos jardins da residência real. Para além do aproveitamento da água das chuvas para processos de irrigação e da utilização de diversos métodos de compostagem, foi ainda implementado um mecanismo para tratamento e reaproveitamento de água.

Outra das preocupações da família real prende-se com as emissões de CO2, sendo utilizados nas suas deslocações diárias veículos mais amigos do ambiente, como os carros elétricos. No caso de viagens internacionais isto torna-se mais difícil de controlar uma vez que são utilizados aviões privados neste tipo de deslocações de longo curso. Contudo, a Casa Real refere que "o impacto ambiental está a ser tido em consideração quando é planeada a sua agenda de compromissos" de forma a tentar reduzir emissões.

Em maio deste ano deu uma entrevista à revista Country Life onde revelou que a Sandringham House, em Norfolk, está a seguir os passos de Highgrove e a ser convertida numa propriedade 100% orgânica. "Existe um constante fluxo de ideias, que discuto com a conhecedora - e muito sofrida - equipa que faz a gestão da propriedade", disse sobre este projeto que está em curso desde 2018.

As iniciativas em prol de um futuro sustentável

Em 2020 o príncipe Carlos lançou o Sustainable Markets Initiative (SMI): um projeto que "apela às comunidades, negócios, investidores e consumidores para adotar medidas urgentes e concretas, necessárias para se transitar para práticas mais sustentáveis" e que tem por base um plano de ação que pretende auxiliar nesta mudança de trajetória, refere o site oficial da Família Real.

"Eu acho que às vezes nos esquecemos que fazemos parte da natureza. Portanto o que fazemos ao mundo que nos rodeia estamos a fazer a nós mesmos. […] Acredito vivamente que temos de desenvolver uma abordagem que coloque a natureza no centro de todo este processo. De qualquer benefício que tenhamos, também temos de fazer algo em benefício da natureza, ao devolver-lhe algo para que os meus e os teus netos possam ter um futuro razoável. […] Não podemos continuar assim com as calotas a derreterem completamente. Para mim isto é, e sempre foi, assustador", afirmou o filho de Isabel II num vídeo sobre este projeto foi que lançado com o apoio do World Economic Forum e onde conheceu pela primeira vez a jovem ativista Greta Thunberg.

Do SMI destacam-se diversas iniciativas que pretendem combater as alterações climáticas e encontrar soluções sustentáveis, onde se incluem inúmeras reuniões com líderes da cimeira do G7 e o lançamento da Terra Carta, "que serve como um roteiro para a recuperação da natureza, das pessoas e da natureza", pode ler-se no site oficial do projeto.

É através da sua fundação, The Prince of Wales's Charitable Fund (PWCF), fundada em 1979, que o Príncipe de Gales também coloca em prática a sua missão de construir comunidades sustentáveis, dando apoio a causas e projetos de áreas distintas. Deste organismo faz parte o The Prince’s Countryside Fund (PCF) que se destina a "melhorar a sustentabilidade da Agricultura Britânica e das comunidades rurais que apoia", refere o site deste projeto que foi lançado em 2010.

Ao longo dos anos Sua Alteza Real também tem marcado presença em diversas conferencia e cimeiras que se têm realizado pelo mundo fora. Em novembro de 2021 participou na COP26, a conferência do clima das Nações Unidas, que se realizou em Glasgow. "Só vos posso fazer um apelo, enquanto agentes decisores a nível mundial, para encontrar formas úteis de ultrapassar estas diferenças de moda a podermos trabalhar, em conjunto, para resgatar este precioso planeta e salvar o futuro ameaçado dos nossos jovens", disse.

No mesmo mês chegou às livrarias It’s Up to Us: um livro para crianças que pretende alertar os mais novos para as questões climáticas e que contou com um prefácio da sua autoria. Parte das receitas desta obra infantil revertem a favor da The Prince's Foundation, outra das fundações do herdeiro ao trono.

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