Os surtos de doenças e emergências no domínio da saúde pública atingiram o nível mais alto neste século, aprofundando uma crise sanitária numa região onde 47 milhões de pessoas já enfrentam “fome aguda”, fez saber a OMS através de uma declaração.

A maior parte da região debate-se com a pior seca em pelo menos 40 anos e agora prevê a chegada de uma quinta estação de chuvas sem precedentes, enquanto várias bolsas na região enfrentam já inundações, para além de serem palcos de conflitos.

“As alterações climáticas estão a ter um impacto na saúde dos africanos em todo o Corno de África”, afirmou a diretora da OMS para África, Matshidiso Moeti.

A análise dos sete países do Corno de África (Djibuti, Etiópia, Quénia, Somália, Sudão do Sul, Sudão e Uganda) registou 39 surtos de doenças, inundações e outros acontecimentos graves de saúde pública entre 1 de janeiro e 30 de outubro de 2022.

Este registo é já o mais elevado registado desde 2000, e ainda faltam dois meses no ano.

Surtos de antraz, sarampo, cólera, febre amarela, chikungunya – um vírus transmitido pelo mesmo mosquito que transmite a dengue -, meningite e outras doenças infecciosas são responsáveis por mais de 80% dos eventos de saúde pública agudos notificados, e as secas, inundações e outras catástrofes são responsáveis por 18%.

Milhões de crianças com menos de 05 anos enfrentam desnutrição aguda, o que aumenta o risco, não só de fome, mas também de complicações graves de saúde durante os surtos de doenças em consequência de níveis de imunidade fracos.

“Nos últimos quatro anos, o número de pessoas que enfrentam fome aguda no Corno de África mais do que duplicou. Precisamos de pôr fim a este aumento exponencial da miséria. Entre a desnutrição e a morte costuma haver a doença”, afirmou Moeti.

A seca não é o único fenómeno climático extremo que assola a região. O Sudão do Sul está a viver o seu quarto ano consecutivo de inundações, com 40% do território do país já debaixo de água.

Fortes chuvas e cheias repentinas continuam a afetar dezenas de milhares de pessoas no vizinho Sudão, onde milhares de casas foram destruídas ou danificadas em quinze estados.

A insegurança alimentar, resultante das inundações e da seca, juntamente com conflitos, efeitos da pandemia de covida-19 e preços elevados dos alimentos e combustíveis forçaram as pessoas a abandonar as suas casas.

A região tem agora 4,5 milhões de refugiados e requerentes de asilo, bem como 12,7 milhões de deslocados internos, de acordo com a agência das Nações Unidas para a saúde pública.

É “crítico” que os líderes mundiais cheguem a um acordo para “travar o aumento da temperatura” na Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP27), que começa no próximo domingo no Egito, sublinhou Moeti.

“Como continente, somos os menos responsáveis pelo aquecimento global, mas estamos entre os primeiros a sofrer o seu impacto trágico”, acrescentou a responsável.

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