Não escolhe sexos, nem idades, nem estratos sociais. Mas também não escolhe pessoas com base no seu estilo de vida. Um estudo publicado em 2017 nos Estados Unidos revela que a maioria dos casos de cancro é provocada por erros genéticos e não tanto pelo estilo de vida.

Duas em  cada três mutações genéticas responsáveis por cancro resultam de erros aleatórios que ocorrem quando as células se dividem, um processo essencial para a regeneração do organismo, lê-se no estudo.

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"Está amplamente comprovado que evitar certos fatores como o tabaco ou a obesidade reduz o risco de cancro", comenta Cristian Tomasetti, professor adjunto de bioestatística do Centro do Cancro da Universidade Johns Hopkins e um dos autores da investigação publicada na revista científica Science.

"Mas cada vez que uma célula normal se divide e replica o seu ADN para produzir duas novas células comete vários erros, um aspeto ignorado cientificamente", explica. Estes erros "são uma causa importante das mutações genéticas responsáveis pelo cancro e este fator é subestimado como causa determinante desta patologia", acrescenta.

"Na maioria das vezes, estas mutações são inofensivas, (...) mas ocasionalmente ocorrem em genes que desencadeiam o cancro. E isso chama-se azar ou má sorte", disse.

O caso de Adrian

O nadador revelou que numa recente ida ao médico percebeu que algo “não estava bem”, descobrindo que “infelizmente tinha cancro nos testículos”. “A vida, como quando se nada os 100 livres, pode vir contra ti de forma tão dura e tão forte como alguém ou algo, não consegues sempre ver quem é, te persegue”, escreveu Adrian, na rede social Instagram.

“Vendo pelo lado positivo, descobrimos cedo, já comecei o tratamento e o prognóstico é bom. Vou estar de volta à água dentro de poucas semanas, colocando o meu foco total em Tóquio”, escreveu Nathan Adrian, que vai ser operado no início da próxima semana.

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Adrian, de 30 anos, tem oito medalhas olímpicas, das quais cinco de ouro – quatro delas em estafetas -, em três participações em Jogos.

O cancro do testículo é o cancro mais comum dos homens entre os 15 e os 35 anos e é responsável por 1% dos casos de cancro no homem. Embora sem razão conhecid,a é muito mais comum em indivíduos de raça caucasiana do que de outras raças e a sua incidência tem vindo a aumentar. O cancro do testículo é um dos tumores onde é possível obter uma elevada taxa de cura, mesmo em estadios avançados.

A importância dos fatores ambientais

Em janeiro de 2015, Tomasetti e Vogelstein publicaram um estudo polémico que sugeria que mutações aleatórias do ADN - ou, em outras palavras, a "má sorte" -, são muitas vezes responsáveis pelo cancro.

Um estudo publicado no final de 2015 na revista Nature contradisse estas conclusões, estimando que a maioria dos cancros são causados ​​por fatores ambientais, como o tabagismo, as substâncias químicas ou a exposição a raios ultravioleta.

No entanto, cientistas estimam que investir em políticas de saúde para reduzir o tabagismo e o consumo de álcool e promover uma alimentação saudável e o exercício físico ainda pode ter um impacto importante contra o cancro, a segunda principal causa de morte na maioria dos países ocidentais.

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