“À medida que avançamos para o outono e para o inverno, existe um risco real de um elevado aumento de casos de covid-19 e elevadas taxas de mortalidade em populações não vacinadas em toda a UE/EEE [União Europeia e Espaço Económico Europeu]”, avisa o ECDC num relatório hoje divulgado.

Destinado a “facilitar a aceitação e a toma da vacina anticovid-19 na UE/EEE”, o relatório divulgado hoje pela agência europeia frisa, desde logo, que esta deve ser uma “prioridade urgente e imediata” para os países, dado ser um processo voluntário e existirem grandes discrepâncias entre os diferentes países europeus.

Embora 74% das pessoas com mais de 18 anos na UE/EEE estejam atualmente totalmente vacinadas (enquanto 79% têm apenas uma dose da vacina), a cobertura está longe de ser igual entre países.

As taxas de vacinação completa variam entre os 23% e os 91%, sendo a Bulgária e a Roménia os países com percentagens mais baixas e Portugal e a Irlanda os que têm maior cobertura vacinal.

“Isto realça várias lacunas que devem ser colmatadas a fim de aumentar a utilização da vacina anticovid-19, uma vez que baixas taxas de vacinação em alguns países ou em subgrupos populacionais podem resultar na sobrecarga contínua dos sistemas de cuidados de saúde e em taxas de mortalidade evitáveis”, insiste o ECDC.

Numa tentativa de fazer subir a taxa de vacinação, os países europeus adotaram medidas adicionais como a criação de incentivos (incluindo monetários), a imposição de apresentação de documentos comprovativos de vacinação, testagem ou recuperação para aceder a determinados locais ou eventos ou ainda a obrigação de tomar a vacina (adotada por exemplo para profissionais de saúde de certos países).

“No entanto, é importante notar que embora estas iniciativas possam revelar-se eficazes como estímulo para os indecisos ou contra a vacinação, procuram moldar o comportamento, em vez de mudar a forma como as pessoas pensam e sentem em relação à vacinação”, aponta o ECDC.

A diretora deste centro europeu, Andrea Ammon, salienta em comunicado que “um programa de vacinação anticovid-19 sustentável e bem-sucedido só pode ser construído com base na compreensão e numa resposta adequada às crenças, preocupações e expectativas dos indivíduos e das comunidades em relação à vacina e à doença”.

“Estes fatores devem conduzir a estratégias adaptadas a nível subnacional ou local, [já que] não existe uma abordagem única”, conclui.

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