“Portugal sempre esteve abaixo e bastante abaixo daquilo que é a média de camas de cuidados intensivos por 100 mil habitantes”, disse Marta Temido na comissão parlamentar de Saúde, comentando que esta “não é uma realidade de 2020, não era uma realidade de 2019, era uma realidade que tinha mais de uma década”.

Lembrando a evolução das camas de cuidados intensivos no país a ministra disse que desde 2010 Portugal tinha 4,2 camas por 100 mil habitantes, um número que “entretanto, melhorou e que estava já em 5,66 no final de dezembro de 2019”. Em abril havia 7,39 camas de Unidade de Cuidados Intensivos Polivalente de nível III (adultos).

“O nosso objetivo é de facto atingir a média da União Europeia ou seja as 11,5 camas por 100 mil habitantes e isso significa, em números muito redondos, que precisaremos de quase 400 camas de cuidados intensivos de nível III”, disse Marta Temido em resposta ao deputado do PSD Ricardo Batista Leite, que defendeu ser necessário “garantir o número adequado de camas de cuidados intensivos”.

Segundo a ministra, a coordenação de resposta aos cuidados intensivos está a trabalhar na construção de um plano para esse objetivo.

Ricardo Baptista Leite afirmou que “perante a ameaça” de uma segunda onda de COVID-19 é preciso fazer tudo para preparar o Serviço Nacional de Saúde para esta situação.

“Não será aceitável que por falta de preparação se volte a fechar o país e a cancelar uma parte importante do Serviço Nacional de Saúde, nem a economia nem os doentes aguentam”, disse o deputado social-democrata.

Para isso, defendeu Baptista Leite, “temos que testar mais pessoas de forma rotineira e com maior inteligência”, sublinhando que “o novo vírus chama-se pobreza” e que “mais uma vez” todos têm se unir para o combater.

“A economia está nos cuidados intensivos e a necessitar de tratamento urgente”, frisou.

Em resposta, Marta Temido afirmou que “o país não foi fechado por falta de preparação” e que não se pode “escamotear essa verdade” de o país poder “ter que enfrentar um reconfinamento”.

“Se isso acontecer por motivos imperativos de saúde pública cá estaremos para lidar com uma situação desse tipo”, mas, frisou, “tudo faremos para a evitar”.

Essa situação implica “vários tipos de resposta”, mas as “mais importantes são as respostas individuais”.

“E, por isso, é muito importante falar com transparência e não nos refugiarmos em grandes metáforas e falar de coisas muito objetivas e muito exatas”, disse, dirigindo-se a Baptista Leite.

Defendeu que é preciso passar a informação aos portugueses para que continuem a “adotar hábitos e comportamentos muito rigorosos” e “preparar o país para um eventual recrudescimento da doença”, garantindo ao mesmo tempo que o SNS vai continuar a recuperar “a atividade assistencial adiada”.

Marta Temido realçou ainda o “esforço bastante significativo” que foi efetuado na realização de testes à COVID-19, passando de 11.500 testes por dia em abril para 15.400 na última semana.

O dia 15 maio registou o maior de testes realizados, quase 20 mil, observou, assegurando que a capacidade instalada no setor público e no setor privado “demonstra ainda não estar no limite e ter ainda capacidade de fazer mais testes mesmo sem qualquer alargamento”.

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