“A infeção é sempre um fator determinante, mas tem de ser adaptada ao risco e, neste momento, um maior número de infeções não se traduz no risco de aumento de mortes”, afirmou o especialista à agência Lusa.

Segundo o virologista do Instituto de Medicina Molecular da Universidade de Lisboa, o facto de grande parte da população portuguesa já estar vacinada com pelo menos uma dose resulta também na proteção contra a disseminação do vírus SARS-CoV-2, o que faz com que o “risco diminua imenso”.

“Se confiarmos na ciência, a evidência diz-nos que as vacinas funcionam de duas formas: são extremamente eficazes na proteção contra a hospitalização e são muitos eficazes na prevenção contra a disseminação exponencial do vírus nas pessoas vacinadas. Partindo desse pressuposto, à medida que se vai evoluindo na vacinação, tem de se ir evoluindo nas linhas vermelhas”, afirmou.

De acordo com Pedro Simas, na atual fase da pandemia em Portugal, o crescimento de casos positivos de infeção não corresponde ao aumento de óbitos, apesar de se verificar “uma fase de transição em termos de hospitalizações”, com alguma pressão sobre o Serviço Nacional de Saúde.

O virologista adiantou ainda que o índice de transmissibilidade do vírus (Rt) e a taxa de incidência de novos casos – os dois critérios que compõem a atual matriz de risco – “servem para antecipar o que vai acontecer nos internamentos, mas estão desatualizados”, face à proteção conferida pela vacinação.

Sobre a proposta de uma nova matriz apresentada hoje pela Ordem dos Médicos e pelo Instituto Superior Técnico, que acrescenta uma avaliação da gravidade, Pedro Simas considerou que se trata de “uma boa iniciativa”, ressalvando, porém, que não conhece em pormenor o algoritmo em que assenta.

Uma equipa de especialistas apresentou hoje um novo indicador para determinar o estado da pandemia de covid-19 e esperando agora que este seja adotado pelas entidades competentes como futura matriz.

Na sessão de apresentação do indicador, na Ordem dos Médicos, em Lisboa, o matemático Henrique Oliveira, especialista em sistemas dinâmicos, explicou que os dois indicadores que compõem a atual matriz de risco “não chegam” e “começam a dar uma visão parcial do problema”.

A proposta hoje apresentada, que resultou de um “trabalho de equipa” de especialistas do Instituto Superior Técnico e da Ordem dos Médicos, não deita fora os dois indicadores existentes – incidência e transmissibilidade (Rt) –, mas complementa-os com mais três: letalidade, internamentos em enfermaria e internamentos em unidades de cuidados intensivos (UCI).

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