A decisão do primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, de fechar restaurantes e bares a partir das 18 horas e, por completo durante um mês, teatros, cinemas e academias foi considerada uma "declaração de fracasso" pelos seus críticos, enquanto os cientistas questionam se será o suficiente para conter a propagação do vírus.

Conte disse que as medidas impopulares, que significam um duro golpe para setores já muito abalados pelo estrito confinamento nacional na primavera passada, devem permitir que os italianos estejam "mais serenos até ao Natal".

O fim de semana teve confrontos entre as forças de segurança e opositores ao toque de recolher na capital Roma e em Nápoles. "Com as novas restrições, vamos fechar. O nosso estabelecimento não fica no centro de uma cidade, estamos no interior. Os nossos clientes vêm à noite ou durante o fim de semana", declarou à AFP Giuseppe Tonon, de 70 anos e proprietário de um restaurante em Oderzo, uma pequena localidade do nordeste do país.

A fotografia de Tonon diante do restaurante, resignado e deprimido com a máscara pendurada em uma orelha, foi publicada pela sua filha no Facebook e viralizou nas redes sociais de Itália.

Confinamento na Catalunha?

A situação de Itália não é um caso isolado na Europa. Em Espanha, o governo central decretou no domingo um estado de alerta e impôs o toque de recolher noturno em todo país, à exceção das ilhas Canárias.

O governo regional da Catalunha, nordeste do país, estuda decretar um confinamento domiciliar durante os fins de semana para conter a pandemia de coronavírus.

Os contágios dispararam recentemente nesta região, na linha do que foi registado no território nos últimos dias, quando Espanha se tornou o primeiro país da União Europeia a superar a marca de um milhão de pessoas infetadas com a COVID-19.

"É um cenário que está sobre a mesa, porque durante o fim de semana é quando há mais interação social", disse a porta-voz do governo regional, Meritxell Budó ao ser questionada sobre esta opção em uma entrevista à rádio pública catalã.

Em França, a hipótese de retorno do confinamento não parece mais tão distante, depois que o país fegistar no domingo mais de 52.000 novos casos em 24 horas. O governo já aplica um toque de recolher noturno em várias regiões, incluindo a capital Paris, que afeta 46 milhões de pessoas.

A pandemia do novo coronavírus provocou pelo menos 1,15 milhões de mortes no mundo desde que o escritório da OMS na China anunciou o surgimento da doença em dezembro, segundo um balanço da AFP com base em números oficiais dos países.

Além disso, mais de 43 milhões de casos foram oficialmente declarados. Os números aceleram e, no domingo, foram registados mais de 400.000 contágios em todo mundo.

"Bandeira branca"

Os Estados Unidos continuam como o país com mais mortes e contágios (225.239 e 8.636.995, respetivamente). No domingo, o chefe de gabinete do presidente Donald Trump, Mark Meadows, admitiu que a Casa Branca "não vai controlar a pandemia".

A pouco mais de uma semana da eleição presidencial, o candidato democrata Joe Biden acusou o chefe de Estado de "agitar a bandeira branca da derrota e esperar que, se for ignorado, o vírus irá embora".

Depois dos Estados Unidos, os países com mais vítimas fatais são: Brasil (157.134 mortos e 5.394.128 casos), Índia (119.014 mortos e 7.909.959 casos), México (88.924 mortos e 891.160 casos) e Reino Unido (44.896 mortos e 873.800 casos).

Ontem, o Equador registou o recorde de 2.021 novos casos em 24 horas. O país acumula até ao momento 161.635 infetados e 12.553 óbitos provocados pela COVID-19.

O Peru viveu o primeiro domingo sem confinamento em sete meses, depois de o governo suspender a proibição de sair às ruas nas regiões mais afetadas pela pandemia.

E, no Chile, muitas pessoas foram para as ruas para festejar a vitória no plebiscito de domingo para mudar a Constituição herdada da ditadura de Augusto Pinochet.

Na Austrália, a cidade de Melbourne, a segunda maior do país, vai suspender o confinamento esta semana, após quase quatro meses de restrições.

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