Este é apenas um dos mais de 500 casos de sucesso de crianças surdas profundas que receberam implantes cocleares no serviço de Otorrinolaringologia do Centro de Referência de Implantes Cocleares do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), que funciona desde 1992 no Hospital dos Covões, faz na sexta-feira precisamente 30 anos.

“Até ao problema da minha filha nunca tinha ouvido falar em implantes cocleares”, disse à agência Carlos Gomes, destacando a “diferença enorme” que o aparelho proporcionou à Carolina, que “é uma criança muito feliz, autónoma e independente”.

Salientando a “excelência a todos os níveis” do serviço, Carlos Gomes referiu que a menina deixou de falar no espaço de uma semana, o que “confundiu as equipas médicas”.

“Atualmente, a minha filha ouve quando falo para ela de costas e está há seis meses a aprender a tocar viola e já produz acordes”, realçou, com satisfação, enquanto a criança brincava na sala da terapia da fala, onde se desloca com regularidade para a equipa técnica averiguar que o processo está a decorrer sem problemas.

Segundo o coordenador do serviço, Luís Filipe Silva, “tendencialmente” as crianças recebem um implante bilateral (nos dois ouvidos), como foi o caso da Carolina, “para prevenir a atrofia do nervo auditivo”.

Mas não se pense que o resultado é imediato. O especialista referiu que só três a quatro meses depois se evidencia alguma relação do paciente com o implante e que demora seis a oito meses até que percebam o significado dos sons.

Em 30 anos de atividade, o serviço de otorrino já implantou em Portugal mais de 500 implantes em crianças, numa média anual de 20 a 30 nos últimos anos.

“Implantamos mais do que todo o resto do país junto”, sublinhou Luís Filipe Silva, salientando que, até há “cinco ou seis anos”, implantavam quase todas as crianças do território nacional e “uma grande percentagem dos adultos, em que o processo é mais fácil”.

Luís Filipe Silva frisou que colocar um implante coclear numa criança “é, de facto, um verdadeiro desafio”, porque a maioria “nasce sem o órgão dos sentidos, surda total”.

Apesar da pandemia da covid-19 dos últimos dois anos, o serviço manteve a produção cirúrgica, congratulou-se o coordenador da unidade, salientando que foram realizados, em crianças e adultos, 75 implantes em 2019, 65 em 2020 e 73 em 2021.

“Conseguimos manter estável a nossa oferta cirúrgica durante o período da pandemia. Durante meses tivemos de fazer o triplo dos implantes que fazemos normalmente, porque em abril, maio e junho de 2020 o hospital esteve totalmente fechado e, no verão, viemos para aqui fazer implantes, porque tudo estava atrasado”, sublinhou.

O tempo de espera para colocação de implantes cocleares em adultos não supera os três meses e nas crianças “tenta-se que seja inferior a dois meses”, especificou o especialista.

Ao nível das consultas, em 2020 registou-se uma redução, mas em 2021 o serviço recuperou para a produção normal e introduziu a teleconsulta, que veio aumentar ainda mais o contacto com o doente.

“A taxa de sucesso é de 100%, porque nunca tivemos nenhum doente que tenha reclamado de ter sido implantado. Agora, é evidente que as performances que cada pessoa atinge são equiparadas com as performances cognitivas que cada pessoa atinge sem ser surdo”, realçou Luís Filipe Silva.

A Unidade de Implantes Cocleares do Serviço de Otorrinolaringologia tem duas equipas cirúrgicas, cinco técnicos, três terapeutas da fala e dois audiologistas, além de contar com o apoio de pediatras do desenvolvimento e psicólogos do Hospital Pediátrico.

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