O Renato Faria (mais conhecido como Vesigróvio), filho da dona Custódia que trabalha há trinta anos na restauração do "Dom Sebastião - comida tradicional", soube que faz amanhã 50 anos que o Homem pisou a lua.

Disse que o facto de ter acontecido há tanto tempo faz com que não tenha sido tão trabalhoso. É que, nos dias que correm, não seria "o homem" a pisar a lua. Seria uma sigla gigante de forma a ser mais inclusivo e menos redutor. E o problema que a NASA iria arranjar com as Capazes? Seria o suficiente para ponderarem abandonar o projeto e atrasar toda a investigação espacial. Por outro lado, teriam sempre de equacionar os prós e os contras já que, na lua, não teriam acesso a todo esse burburinho e estariam longe do problema, poderiam, ainda, ter a sorte de alguma coisa correr mal e ficarem alheios a toda essa polémica para sempre. E também não tinham de aturar os escândalos das separações da Luciana Abreu ou os dramas da Rita Pereira com o Leandro.

O Renato disse-me que, se fosse ele, nunca lá iria. Primeiro porque diz que respeita muito o Cosmos e não se sentia confortável a entrar num supositório gigante e sentir que estava a sodomizar o Universo. Ainda podia estar a invadir o espaço do Espaço e arranjava um novo problema com as Capazes. Segundo, por causa da namorada. É que se há dias foi beber um copo com os amigos, atrasou-se meia hora, e ela deixou de falar com ele um mês debaixo do mesmo teto, imaginem se ia não sei quantos dias para a lua. Já para não falar na desconfiança que traria um sem número de perguntas:

- Vais com quem? Estás a mentir-me, Renato. Olha que é pior se vier a descobrir por terceiros, Renato. Tu só queres ir para longe para eu não saber de nada, aldrabão. Não podem ir aqui a um café qualquer, pois não? É preciso ir à lua, não é?

O Renato acha que, se acabasse por ir, era porque a namorada lhe tinha dito "faz o que quiseres" e ele, na sua ingenuidade, sentir-se-ia apoiado e iria, não percebendo a sentença nessa frase. É uma visão romântica de ter os dias contados. Claro que, quando voltasse, teria todo um novo rol de perguntas intimidantes:

- Tu foste mesmo à lua? Eu não acredito, Renato. Tu realmente só fazes mesmo aquilo que queres.

Sempre com tendência a piorar:

- E não me levaste, porquê? Tens vergonha de mim, é isso? Não te convinha que lá estivesse, não é? Preferes os teus amigos. Só foste com outros porque não querias estar comigo. Evitas-me. Não conseguimos estar os dois sozinhos. Sabes uma coisa, Renato? Estás diferente.

A expressão "estás diferente" é um truque usado por especialistas na matéria, que sabem, na perfeição, que o sexo masculino não a sabe interpretar e, por norma, quem o profere não se está a referir a nada em específico. É um trunfo usado no desespero com resultados favoráveis para quem o pronuncia.

O Renato afirmou que, quando voltasse da lua, e perguntasse à namorada o que é que ela tinha, certamente ouviria um "Nada. Não é nada". Estava dado o primeiro passo para o Renato entrar num terreno pantanoso. É que, se há coisa que todo o homem sabe é aquela regra básica do "não é nada" que é, nada mais, nada menos, que uma armadilha porque, por norma, é tudo.

O Renato continua certo de que não quer que o levem nem quer levar ninguém à lua, até pelo simples facto de isso poder acartar uma metáfora sexual da qual se quer afastar. É que, passados 50 anos, ainda se arrisca a ter problemas com as Capazes.

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