Causa muito pasmo a alguns peritos estrangeiros como é que as especiarias e as iguarias trazidas pelos navegadores lusitanos aquando das explorações além-mar na época dos descobrimentos marítimos pouco ou nenhum impacto tiveram na gastronomia nacional. Um deles é o médico imunologista israelita Yehuda Shoenfeld, que esteve no V Congresso Europeu de Nutrição Funcional, em Lisboa, a apresentar as suas mais recentes descobertas científicas.

"Infelizmente, os portugueses não gostam de comida picante. O que é estranho, porque nos países onde há mais calor costuma haver uma tradição culinária apimentada", comentou, na altura, o especialista. A razão de ser desta abertura prende-se com uma novidade, que pode bem fazer-nos alterar os nossos hábitos alimentares num futuro próximo. "A malagueta ajuda a prevenir e a combater muitas doenças autoimunes", sublinha o israelita Yehuda Shoenfeld.

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"Eu recomendo comida picante a todos os pacientes que entram no meu consultório", confidencia. Não será, todavia, difícil de implementar em Portugal. Nas maiores cidades do país, pode viajar pelas cozinhas chinesa, indiana, italiana e mexicana, em diferentes dias da semana. Logo de seguida, no ranking dos melhores alimentos para tratar estes problemas de saúde, segundo o médico israelita, está a curcuma. "Este ingrediente miraculoso tem uma ação antioxidante e anti-inflamatória. Ajudam a aumentar o número de células que policiam aqueles autoanticorpos que querem agredir o sistema imunitário", esclarece.

"Eu tomo curcuma todos os dias, não há efeitos secundários nessa toma", garante o imunologista. Para além destes dois alimentos, Yehuda Shoenfeld destaca ainda os poderes terapêuticos do cacau, da romã e do café, ingredientes alimentares que aconselha os portugueses a comer mais para melhorarem a sua saúde. "Introduzir alterações na dieta pode prevenir ou adiar o aparecimento de doenças autoimunes", garante o especialista israelita.

1. Cacau

Apesar de estar a aumentar o consumo de produtos 100% à base de cacau, a verdade é que tendemos a ingeri-lo no chocolate. Convém, no entanto, certificar-se que as referências que compra contêm uma percentagem elevada de cacau e que especifiquem a composição de flavonoides, caso contrário, os benefícios poderão ser muito reduzidos. Este ingrediente contém uma extensa lista de minerais: magnésio, cálcio, ferro, zinco, cobre, potássio e manganésio.

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As vitaminas não ficam atrás. Além de vitamina A, fornece vitaminas B1, B2, B3, B5, C e E, essenciais ao organismo. "O cacau tem possivelmente mais fitoquímicos fenólicos e uma maior capacidade antioxidante do que qualquer outro alimento, incluindo o chá verde, chá preto, vinho tinto e mirtilos", refere o livro "101 alimentos que podem salvar a sua vida", publicado em Portugal pela Academia do Livro. O cacau, um ingrediente muito apreciado, tem uma ação anti-inflamatória. Para além disso, ajuda a reduzir a produção de autoanticorpos, as células geradas pelo nosso organismo que agridem e que tendem a enfraquecer o nosso sistema imunitário.

Pode também aliviar os sintomas associados à artrite reumatoide. Além disso, aumenta a hidratação da pele, para a diarreia, diminui o risco de doença cardíaca, baixa a tensão arterial, melhora o fluxo sanguíneo, pode prevenir o cancro do cólon, melhora a memória verbal e visual. Ingira-o, idealmente, em grão ou em pó, transformado em chocolate negro, derretido, em bebidas, em bolos ou ainda em sobremesas. Modere o consumo de manteiga de cacau.

2. Café

Muitos portugueses não passam sem ele. "É um dos componentes da alimentação mais ingeridos no mundo inteiro, constituindo a substância farmacologicamente ativa mais utilizada universalmente", refere a Associação Industrial e Comercial do Café (AICC). Além de antioxidantes, fitoquímicos como ácidos clorogénicos, contém cafeína. Yehuda Shoenfeld aconselha o seu consumo a pessoas com esclerose múltipla e colangite esclerosante primária.

Segundo o especialista, ajuda a atenuar a sintomatologia e a retardar a progressão destas doenças autoimunes. Além disso, é um estimulante que ajuda a melhorar o metabolismo do açúcar, a reduzir o risco de parkinson nos homens, a diminuir o risco de doença cardiovascular e de diabetes tipo 2 e a atrasar a perda de memória. Para além de o saborear e apreciar em bebidas quentes e em bebidas frias, utilize-o para confecionar e enriquecer bolos e sobremesas.

3. Curcuma

Também conhecida por açafrão-da-índia, é uma raiz da família do gengibre. David Grotto escreve no livro "101 alimentos que podem salvar a sua vida" que, "tradicionalmente, foi usado para aliviar dores menstruais, estados respiratórios, parasitas intestinais, obstruções no fígado, úlceras e inflamações". Este ingrediente alimentar de cor amarela contém ferro, manganésio, potássio, vitamina B6 e C. Os seus benefícios para a saúde têm sido muito elogiados.

Tem fortes propriedades antioxidantes, anti-inflamatórias e anticancerígenas, fortalece o sistema imunitário, melhora o desempenho cognitivo. Está indicada para pessoas diagnosticadas com nefrite lúpica, condição renal provocada pelo lúpus eritematoso sistémico. As que sofrem de artrite reumatoide também a devem ingerir. Utilize-a para fazer ou para aromatizar mostarda e para enriquecer guisados, sopas, caldos, arroz e pratos de peixe.

4. Malagueta

É um fruto pequeno, fino, vermelho e muito picante. "Todas as variedades têm origem na América Central", segundo se pode ler e, "O grande livro dos legumes", publicado pelo Círculo de Leitores. Contém um teor muito elevado de vitamina C e um índice de vitaminas A e B. Na sua composição de minerais, destacam-se o potássio, cálcio, magnésio e o fósforo. A capsaicina, o picante da malagueta, diminui a nossa ingestão energética e aumenta a oxidação de gordura.

Diminui ainda os níveis de colesterol e triglicéridos, acelera o metabolismo, facilita a digestão. Yehuda Shoenfeld diz que ajuda a prevenir a diabetes tipo 1 e produz melhorias clínicas nos indivíduos com neurite ótica, uma inflamação do nervo ótico. Quando esta substância é aplicada topicamente, atenua temporariamente a sintomatologia nos casos de artrite reumatoide e de fibromialgia. Coma-a crua em saladas, frita, assada ou no tempero de refogados e guisados.

5. Romã

É um dos fruitos com mais antioxidantes. "É provavelmente o fruto com maior potencial medicinal comprovado. É uma preciosidade da natureza a envolvência de numerosas sementes carnudas de cor vermelha numa casca que termina em forma de coroa”, elogiam Pedro Carvalho e Vitor Hugo Teixeira no livro "50 super alimentos portugueses". Rica em vitaminas A e C e minerais como o cálcio e o ferro, possui ainda um elevado teor de fibra e de polifenóis.

Tem quase três vezes mais do que o vinho tinto e o chá verde. Ajuda a limpar os vasos sanguíneos, a decrescer o stresse oxidativo, a combater a disfunção erétil, a prevenir alguns tipos de cancro e a proteger as artérias. Reduz a inflamação associada à artrite reumatoide e atenua os sintomas associados, diminui a destruição das articulações. Ingira-a em sumos, em xarope, em melaço, em compotas, em saladas, em sobremesas e para enfeitar pratos salgados.

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