A oniomania é considerada uma doença psiquiátrica caracterizada por um desejo recorrente e descontrolado de realizar compras. Estima-se que atinja 6% da população geral, e a maioria dos estudos indica que cerca de 90% são mulheres.

"Os principais sintomas consistem em comportamentos repetitivos, pensamentos intrusivos e preocupações relacionadas com compras e impulsos para comprar, os quais são vivenciados como irresistíveis e de difícil controlo. Os doentes descrevem uma sensação de tensão e de ansiedade crescente, que só alivia quando a compra é realizada. Posteriormente geram-se habitualmente sentimentos de culpa, angústia e preocupação. É frequente serem adquiridos objetos supérfluos e de elevado valor, conduzindo a problemas financeiros graves", refere a psiquiatra Luísa Lagarto. 

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Quando surge a patologia?

A oniomania tem início no final da adolescência ou na segunda década de vida, o que poderá estar relacionado com a emancipação do núcleo familiar, acesso a contas bancárias e uso compulsivo do computador, particularmente a utilização de sites onde é possível fazer compras online.

"Estes comportamentos provocam sofrimento no indivíduo, são consumidores de tempo e podem originar problemas ao nível pessoal, familiar, legal e financeiro. Sintomas de depressão, ansiedade, distúrbios alimentares e/ou uso de substâncias são comuns nos doentes que sofrem desta doença", explica a médica.

Luísa Lagarto, psiquiatra da Unidade Psiquiátrica Privada de Coimbra
Luísa Lagarto, psiquiatra da Unidade Psiquiátrica Privada de Coimbra créditos: DR

"É importante distinguir estes comportamentos daqueles que decorrem dentro dos padrões considerados normais. Os gastos excessivos episódicos que ocorrem em ocasiões especiais (festas, aniversários, férias, etc.) não configuram necessariamente este diagnóstico, principalmente se não estiverem associados à preocupação ou angústia, e se não implicarem consequências adversas", esclarece Luísa Lagarto.

Ainda não estão esclarecidas as causas desta perturbação, mas sabe-se que estão envolvidos fatores neurobiológicos, psicológicos e sociais. "Traços obsessivos e impulsividade são características da personalidade que estão frequentemente associadas à doença. Alguns fatores socioculturais são reforçadores deste tipo de comportamentos, particularmente a crença de que a aquisição de bens representa ascensão social, poder, prestígio e autonomia financeira", diz a especialista.

"Para além disso, o estímulo para o consumo e a disponibilidade de uma ampla gama de produtos podem contribuir para o desenvolvimento da doença. As estratégias de marketing relacionados com promoções atrativas podem conduzir a um aumento do risco para as compulsões por compras, agravando assim os sintomas", conclui.

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Como se trata?

O curso da doença é normalmente crónico e intermitente. O tratamento envolve acompanhamento psiquiátrico regular, psicoterapia e intervenção farmacológica. As intervenções em grupo são benéficas, dado que proporcionam um ambiente de apoio e encorajamento mútuos.

"A terapia de casal também pode ser necessária, caso se verifique problemática no relacionamento conjugal precipitada pela doença", sugere a médica.

Para prevenir a compulsão por compras, os doentes são orientados no sentido de alterarem os seus comportamentos e hábitos de vida.

"Por exemplo, sugere-se para estes doentes: evitar épocas de promoções, evitar frequentar regularmente centros comerciais ou fazê-lo em companhia, não levar cartão de crédito ou usar crédito limitado, fazer listas previamente para adquirir apenas o que é necessário, e evitar a utilização sites de compras online", conclui.

As explicações são da médica Luísa Lagarto, psiquiatra da Unidade Psiquiátrica Privada de Coimbra.

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