A contagem decrescente para o tão desejado período de férias de verão começa logo após a Páscoa. Vai crescendo o desejo de uma rotina mais descontraída, com menos pressão de horários e tarefas.

Tipicamente, as férias são encaradas como a oportunidade para estar sem horários, sem obrigações, para descansar e não fazer nada.

Termina o ano letivo e considera-se que se aprendeu tudo o que havia para aprender. Mas, talvez não se aprenda tudo na escola… talvez a escola não seja o cenário principal para todas as aprendizagens.

Na verdade, as férias são um contexto privilegiado para desenvolver competências em que a escola está menos focada.

Ao longo do período de ferias as crianças podem experimentar novos contextos e desafios, que lhes permitirão:

1. Melhorar a capacidade para se adaptar ao novo, ao imprevisível e a novas rotinas;

2. Melhorar a capacidade para estabelecer e gerir novas interações, tanto com outros adultos como com outras crianças;
diversificar os grupos com quem têm afinidade (e isto é muito importante para crianças que na escola não conseguem desenvolver relações significativas ou confortáveis);

3. Expor-se a novos interesses e competências; para crianças que apresentam interesses muito restritos, este aspecto é particularmente importante pois só diversificando a exposição é que será possível encontrar outro(s) interesse(s);

4. Desenvolver competências de autonomia e resolução de problemas;

5. Treinar novas competências de regulação emocional, associadas, por exemplo, ao medo de dormir fora de casa, ao medo de iniciar interações sociais, ao medo de fazer desportos diferentes (…);

6. Estimular outras facetas da inteligência, como a criatividade, as competências motoras, ou as competências artísticas.

Sabemos que este é também um desafio para os pais e que, muitas vezes, surgem pensamentos como “os meus filhos não vão querer”, “precisam de descansar”, “os avós estão desejosos de ter os netos”, ou “eles não vão adaptar-se”, principalmente se não for também um irmão ou um amigo.

Todas estas preocupações são legítimas. A chave estará em encontrar um equilíbrio entre situações ou contextos em que as crianças estão mais confortáveis e podem descansar, e atividades que as possam fazer evoluir e desenvolver em domínios que a escola naturalmente não consegue trabalhar.

Muitas vezes, a resistência das crianças a este novo tipo de atividades nas férias pode dever-se em parte ao desconforto com o desconhecido. Ultrapassar este desconforto é, em sim mesmo, um ótimo desafio de autonomia e uma nova aprendizagem (social e emocional).

A melhor forma de apresentar este desafio aos seus filhos é aceitar que podem não querer ir e compreender que têm o direito a ficar zangados/preocupados/tristes.

Pode ser útil fazê-los perceber que, mesmo sabendo que os primeiros dias podem ser difíceis, os seguintes podem ser muito divertidos! O mais importante é assegurar que os nossos filhos têm acesso a todas as experiências fundamentais para um crescimento saudável.

Introduzir estas novas atividades de verão não significa que não se possam manter outras rotinas de férias “antigas”. O equilíbrio é fundamental! Acima de tudo: Boas férias!

Texto: Daniela Nascimento, Técnica superior de Educação especial e Reabilitação, e Maria João Silva, Psicóloga clínica & Psicoterapeuta

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