Em declarações à agência Lusa, Israel Macedo, responsável pelo único banco de leite humano do país, criado há 10 anos, defende que faria sentido abrir uma estrutura do género no norte do país, que tem uma natalidade que supera a do sul.

“É uma zona com densidade populacional e natalidade que supera a zona sul e teria todo o interesse ter um banco de leite”, que até poderia ter capacidade para fornecer a região centro, afirmou.

O pediatra diz que o Banco de Leite Humano da MAC serve vários hospitais da região de Lisboa, mas não há condições para a estrutura ir além disso, chamando a atenção para a falta de especialistas em patologia clínica, necessários para fazer a pasteurização do leite, que é congelado e armazenado.

Com os anos da ‘troika’, explicou, muitos especialistas deixaram o Serviço Nacional de Saúde e, neste caso, o banco de leite humano ficou apenas com uma única técnica de patologia clínica.

“Temos os congeladores cheios de leite de dadoras, mas infelizmente pouco pessoal, o que é um mal geral desde 2012. O pessoal alocado ao banco de leite (técnicas de patologia clínica para exames bacteriológicos e pasteurizações) diminuiu muito”, contou o responsável, explicando que quando a técnica vai de férias são os médicos que, quando têm tempo, fazem as pasteurizações.

Israel Macedo lembra o importante papel deste banco de leite, que há 10 anos alimenta bebés prematuros que nascem em vários hospitais da região de Lisboa, pois funciona como “amortecedor para casos de prematuridade”, pois muitas vezes o leite como provém de mulher que foi mãe prematuramente, nutricionalmente é mais pobre do que o leite de uma mãe de tempo completo.

O responsável diz que “faria todo o sentido” abrir um banco de leite humano no norte do país e diz que o que tem travado a abertura de uma estrutura destas no Porto são os “constrangimentos financeiros”.

“Tenho contactos de senhoras que querem ser dadoras e que são da Maia, de Braga ou do Porto e não têm possibilidade de doar no norte”, conta.

O Banco de Leite Humano da MAC, que chegou a ter 45 dadoras e a armazenar 600 litros de leite de dadora por ano, tem neste momento 25 dadoras, que alimentam e ajudam a crescer os bebés prematuros de outras mães.

Entre as várias campanhas que tem feito está um protocolo assinado com um agrupamento de centros de saúde em Oeiras, que faz a promoção da amamentação e tem uma equipa, formada pelos profissionais do banco, que faz a seleção das dadoras e congela o leite, que depois é recolhido de forma mais esporádica.

Israel Macedo conta que este banco tem pedidos de hospitais da Grande Lisboa e diz que são também os constrangimentos financeiros nalgumas unidades hospitalares que fazem com que não se consiga uma maior cobertura.

“Não tenho dúvidas de que são os constrangimentos financeiros. Não vendemos o leite (…), a única coisa que se faz é uma comparticipação nos custos de processamento”, como as despesas com a técnica que faz pasteurizações, os gastos na esterilização do material e nos congeladores, por exemplo.

“Estamos a fornecer leite ao preço mais baixo da Europa. São 55 euros/litro, quando a média europeia anda pelos 100 euros”, acrescenta.

“Fazem contas para números com grande impacto no publico, mas falando de 200 a 300 bebés prematuros ninguém liga. Há bebes que ficam com problemas e que vão custar mais ao SNS ao longo de toda a vida”, afirma o pediatra, que reconhece que como se trata de “números pequenos” torna-se difícil “convencer os decisores”.

Nas vésperas do Dia Mundial do Dia Mundial do Aleitamento Materno, que se assinala na quinta-feira, Israel Macedo sublinha que o leite humano “é extremamente difícil de imitar”.

“A amamentação com o leite da própria mãe inigualável quando comparada com a fórmula para lactentes”, afirma o especialista, sublinhando que além dos benefícios para a saúde e as defesas do organismo, “também se associada a pessoas mais inteligentes e a um melhor neurodesenvolvimento quando se vê na vida adulta jovens que foram amamentados com leite materno”.

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