No modelo que elaboraram, estimam que 59 por cento dos contágios podem ser provocados quer por pessoas antes de desenvolverem sintomas (35%), quer por pessoas que, embora infetadas, nunca vêm a ter sintomas.

O estudo foi publicado hoje num boletim científico da Associação Médica Americana, dos Estados Unidos.

Ressalvando que o modelo é limitado porque se baseia em suposições, sem ser possível obter números exatos, defendem que reduzir o risco de propagar as infeções pelo SARS-CoV-2 passará por contar com a transmissão por assintomáticos e, especialmente, pela testagem de pessoas sem sintomas a par das outras medidas mais difundidas.

“Essas medidas podem ser suplementadas pela testagem estratégica de pessoas que não estão doentes, tais como as que estiveram expostas a casos confirmados ou estão em risco de expor outros [ao vírus] “, como trabalhadores de instalações comunitárias ou que estão em contacto frequente com o público.

Salientam que “o controlo bem-sucedido do SARS-CoV-2 não pode basear-se apenas na identificação e isolamento de casos sintomáticos, que mesmo que fosse aplicada eficazmente, seria insuficiente”.

No estudo cujo principal autor é Michael A. Johansson, da universidade norte-americana de Harvard, assume-se que “cada componente é incerta” para calcular os riscos de transmissão, pelo que se analisaram cenários diferentes baseados em dias diferentes da infeção, escolhendo a mediana de o quinto dia ser o mais passível de provocar contágio.

“Mantendo a premissa de 24% de transmissão por indivíduos que nunca tiveram sintomas, mas mudando o pico de infecciosidade para o quarto dia de infeção, a transmissão pré-sintomas aumentava para 43% e a transmissão assintomática para 67%. Um pico mais tardio, no sexto dia, diminuía a pré-sintomática para 27% e a assintomática para 51%”, exemplificam os autores do estudo.

Se o fator de reprodução do vírus (Fator R0) “num determinado contexto for 02, então é precisa uma redução de 50% na transmissão para reduzir o fator de reprodução para menos de 01”.

“Como em alguns cenários o R é provavelmente muito superior a 02, e mais de metade dos contágios podem ter origem em indivíduos que estavam sem sintomas, um controlo eficaz tem que mitigar o risco de transmissão também de pessoas sem sintomas”, concluem.

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