A fisioterapia representa uma das principais áreas profissionais no sistema de saúde nacional e internacional. A fisioterapia é exercida exclusivamente por fisioterapeutas com o objetivo de promover o máximo de funcionalidade ao longo de todo o ciclo de vida. A capacidade de um indivíduo para ser autónomo e adaptar-se aos diferentes desafios ao longo do tempo pode ser ameaçada por alterações relacionadas com a idade, por doenças que o podem acompanhar desde o nascimento ou surgir em idade adulta. O fisioterapeuta, enquanto profissional de saúde especializado no movimento, na sua análise e integração com o meio envolvente, assume um papel fundamental na vida das pessoas que o procuram, bem como nas equipas de saúde onde se encontra integrado. O utilizador dos serviços de fisioterapia trilha um caminho para atingir os seus próprios objetivos, definidos com a equipa médica, sendo posteriormente acompanhado pelo fisioterapeuta que proactivamente apoia a avaliação individualizada e adequada à condição clínica, identificando e sinalizando pontos passíveis de otimização, modificação ou substituição.

A fisioterapia respiratória é uma área de intervenção específica da fisioterapia e que está focada na função respiratória da pessoa com uma doença respiratória, seguindo os princípios mencionados anteriormente. O conceito de fisioterapia respiratória é, no entanto, diferente de reabilitação respiratória.

A reabilitação respiratória é amplamente recomendada para pessoas diagnosticadas com doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC), existindo evidencia cientifica robusta que comprova a sua eficácia e o seu custo-benefício, no entanto, não podemos descartar a sua utilidade para outras doenças respiratórias. A reabilitação respiratória é um conceito abrangente e inter disciplinar que envolve a equipa médica e demais profissionais, incluindo o fisioterapeuta, cujo objetivo é reduzir os sintomas de falta de ar e cansaço, aumentar a capacidade para o exercício, para realizar as tarefas do dia-a-dia, promover a participação social, aumentar o autocontrolo sobre a própria doença e melhorar a qualidade de vida das pessoas.

O plano estruturado, individualizado, inclui a avaliação e o controlo clínico, o exercício e a educação. Estes programas devem ser complementados em contexto domiciliário, zona de conforto e segurança para o indivíduo, ou seja, o local onde passa grande parte do seu tempo de recuperação ou de manutenção.

A formação das equipas de saúde a nível comunitário e hospitalar, assim como o desenvolvimento e otimização das estruturas já existentes é essencial para que a reabilitação respiratória seja implementada e para que atinja os objetivos desejados. O desenvolvimento da comunidade e uma maior capacitação das suas estruturas, através dos cuidados de saúde primários e domiciliários, será crucial para atingir um alcance cada vez maior das pessoas que beneficiam de reabilitação respiratória. Este é um assunto para o qual a fisioterapia e, mais especificamente, a fisioterapia respiratória está desperta para contribuir ativamente.

O fisioterapeuta está fortemente enraizado na comunidade e poderá, por exemplo, adaptar os exercícios e o conhecimento transmitido em contexto de centro de reabilitação à realidade da pessoa que está a frequentar um programa. Este profissional consegue envolver os vários elementos relevantes, como a família e/ou cuidadores, em todo processo, ao mesmo tempo que promove o reconhecimento acerca dos seus benefícios. É, portanto, relevante a avaliação e adaptação do local onde é desejável que a reabilitação continue para que ocorra uma manutenção dos ganhos em saúde ao longo do tempo, mesmo após terminar o programa de reabilitação.

 

Fazendo uma abordagem realmente integrada à pessoa, a reabilitação respiratória poderá ser uma aposta ganha enquanto intervenção para pessoas com sequelas devido à COVID-19, uma vez que estas alterações parecem ser essencialmente pulmonares. Apesar de ainda não haver estudos suficientes que validem a reabilitação respiratória como uma abordagem eficaz para as pessoas com sequelas a longo-prazo devido à infeção por SARS-CoV-2, será importante investir na investigação e na criação de estruturas com capacidade para receber estas pessoas.

O fisioterapeuta enquanto um dos profissionais de saúde que integra a equipa destes programas, deverá continuar a advogar por cuidados essencialmente integrados e focados na pessoa com doença respiratória, alavancando a reabilitação respiratória como uma abordagem indispensável e cada vez mais acessível num futuro próximo.

Um artigo do fisioterapeuta Renato Reis.

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