O sistema educativo tem feito uma lenta adaptação ao novo contexto laboral, em que o negócio próprio assume cada vez maior preponderância face ao trabalho por conta de outrem. Por norma, o currículo escolar não inclui conteúdos relacionados com o empreendedorismo e o ensino superior, no geral, está ainda muito estruturado em função do emprego assalariado.

A educação para a gestão do próprio negócio está a dar os primeiros passos, apesar de cada vez mais surgirem formações específicas relacionadas com estes temas. No entanto, o nosso mercado já está repleto de “negócios unipessoais”, onde o “autoemprego” se destaca, pelo que se observa um desfasamento entre a prática empreendedora e a formação necessária para a sua concretização.

Com isto, muitos empreendedores criaram ou estão a criar os seus negócios sem terem tido formação específica que os apoie no seu percurso. A criação e gestão do próprio negócio implica um conjunto de riscos e incertezas que nem sempre são devidamente conhecidos e reconhecidos por quem empreende, o que pode originar desmotivação e sentimentos de fracasso e frustração. Para evitar isto, há algumas questões que deve ter em conta antes de dar este passo. As dicas são de Nádia Blanco, gestora e contabilista na Escrita Funcional.

1. Pondere muito bem se é isso que realmente deseja fazer

Se gostar do que faz e procurar uma rampa de lançamento para o seu negócio, vai perceber que nem sempre é fácil encontrar disponibilidade para a vida pessoal. Terá momentos em que surge uma ideia maravilhosa mas faltam os recursos para a concretizar. Haverá dias em que está radiante e outros em que só lhe apetece desistir. É preciso ter consciência destas fases menos boas, que são naturais na criação e gestão do próprio negócio, e estar capacitado para as enfrentar.

2. Estruture um modelo de negócio

Construa o seu projeto com cabeça, tronco e membros. Defina a sua proposta única de valor e a relação que quer estabelecer com o seu cliente. Em seguida, procure o seu nicho de mercado e analise os canais que usará para chegar até ele. Passando para os números, quererá saber como vai ganhar dinheiro.

Depois desta primeira parte organizada, estabeleça as atividades e os recursos chave do seu negócio, bem como os melhores parceiros para o acompanharem nesta viagem. No final de tudo, enumere os custos “sem medo do vermelho”. O “vermelho” não tem de ser sinónimo de fracasso, muitas vezes precisamos apenas de repensar a nossa forma de implementar a ideia.

3. Avalie se deve abrir uma empresa ou começar com “Recibos Verdes”

Em muitos casos, criar uma empresa não deve ser a primeira opção. É verdade que há situações em que isso é fundamental mas, muitas vezes, pode testar a sua ideia de negócio como trabalhador independente e só mais tarde avançar para a constituição de uma sociedade. Pondere bem os custos e responsabilidades inerentes à abertura de uma empresa antes de dar este passo.

4. Procure o apoio especializado de um contabilista

Arriscaria dizer que as questões fiscais e os impostos são o maior medo de quem tem um negócio próprio, mas isso resolve-se, em muitos casos, com uma reunião com um contabilista. Encare este tempo/dinheiro como um investimento e encontre quem possa minimizar o seu receio explicando-lhe, de forma acessível, como o sistema contabilístico funciona.

5. Prepare-se para “cair” algumas vezes

Não esteja à espera que seja tudo um “mar de rosas”, em que só acontecem coisas boas. Vão ocorrer falhas, quedas e dificuldades, mas se tudo correr bem também terá muitas conquistas e momentos para comemorar. Os avanços e recuos fazem parte do percurso natural de um empreendedor, pois o nível de risco é bastante considerável na maioria dos negócios e é muito difícil evitar contratempos.

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