A infecção que revolveu o mundo e criou claramente a associação dos conceitos de crise económica à de crise sanitária deu uma lição que, infelizmente, nem todos aprenderam ou compreenderam ainda.

O facto de o Tempo ser uma variável, sempre desperdiçada, face ao tremendo impacto na Saúde e Finanças Públicas gerou novos vectores de aproveitamento e necessidade. Nomeadamente no plano da investigação científica.

Vimos e continuamos a assistir a relatos, experiências e ensaios clínicos com medicamentos disponíveis nos mercados e que, embora com indicações formalmente aprovadas para outras aplicações, são agora sucessivamente avaliadas no tratamento ou intenção de tratamento da infecção por Covid-19.

É o conceito já antes conhecido de “drug purposing” que, na indústria farmacêutica, nem sempre é acarinhada e nem sempre igualmente beneficia de apoios claros dos órgãos reguladores do sector.

O trabalho de sequenciação do genoma do SARS-CoV-2 (na verdade de dimensão muito superior à da generalidade dos vírus com genoma RNA) abriu realmente pistas novas mas estávamos perante um cenário em que tudo era novo e diferente.
As medidas ditas de suporte respiratório de hemodinâmico não eram suficientes e a mortalidade inicial foi tremenda e assustadora. O prolongamento da permanência dos doentes em unidades específicas de suporte ventilatório foi agravando a disponibilidade destas unidades diferenciadas. Em simultâneo com taxas de mortalidade muito elevadas…

Do que se sabe foi evidente que duas vias de investigação foram prosseguidas à luz da indispensável e surpreendente rapidez na busca de respostas terapêuticas capazes. Ou fármacos antivirais com propriedades de inibição da proliferação ou replicação viral ou, medicamentos como os imunossupressores, susceptíveis de diminuir ou limitar a resposta inflamatória à infecção.

Em finais de Junho de 2020 sabe-se que havia mais de mil e seiscentos ensaios clínicos sobre a Covid-19, incluindo todo o leque de análise, isto é, desde a epidemiologia, à fisiopatologia, às vacinas e imunidade, à avaliação de fármacos, quer na eficácia, quer no perfil de segurança.

Toda esta investigação estava registada na base mundial de ensaios clínicos – ClinicalTrials.gov – conhecida pela sua reputação, exigência e fidedignidade. Muitos dos ensaios referidos estavam patrocinados por grandes universidades, institutos públicos nacionais, empresas farmacêuticas ou grandes e alargados consórcios, em algumas situações com o apoio da própria Organização Mundial de Saúde.

Creio que este facto explica porque tantas substâncias e medicamentos foram sendo avaliados e testados sucessivamente: lopinavir, ritonavir, remdesivir, interferão alfa e beta, cloroquina, hidroxicloroquina, azitromicina, tocilizumab, plasma convalescente, dexametasona, amantadina, ivermectina, hidrocortisona e tantas outras moléculas bem conhecidas.
Contudo e há sempre um “mas”, a carga de publicações em tão curto intervalo temporal, a falta de força de evidência ou mesmo a margem mínima das amostras ou os erros metodológicos, sempre sob uma pressa de obter dados e tendências, acabou por criar uma certa “nebulosidade” que limitou o aproveitamento desses trabalhos.

Este esforço é, no entanto, uma nova lição.

Para a Política, chamando à pedra e à responsabilidade quem por demagogia ou ignorância, colocou em risco pelo mau exemplo ou por grave omissão, o respeito pelos cidadãos e pelas suas vidas.

Para a Ciência recordando que deve sempre manter-se focada na investigação mas procurar aproveitar as oportunidades que se lhe deparem.
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Para a Economia, porque poderá beneficiar de um mais abrangente, completo e transversal retorno dos custos da investigação e, assim, usufruir de moléculas e descobertas que encontram como que “uma segunda vida”.
Uma segunda vida que afinal e infelizmente milhões de mortos pela Pandemia não terão mais…

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