“No privado, o problema é semelhante, contudo, é ocultado e, que se conheça, nem a Inspeção age, como era seu dever”, afirmou em comunicado a estrutura sindical.

De acordo com a Fenprof, na quarta-feira, o número de horas em concurso de contratação de escola era de 5.802, sendo necessário “recuar a meados de outubro” para encontrar um número “mais elevado”.

Isto sem ter em conta as situações de isolamento por covid-19, que “o Ministério da Educação continua a ocultar”, escreve a federação, segundo a qual as horas em causa se distribuem por um total de 469 horários a concurso.

A Fenprof considerou que a Inspeção Geral da Educação e Ciência (IGEC) deveria atuar também ao nível do ensino privado, onde faltam igualmente professores.

A estrutura liderada por Mário Nogueira atribuiu ainda a falta de professores nas escolas, que se agravou neste final de mês, à falta de medidas e a um problema crónico, “desvalorizado por sucessivos governos”.

“A resolução deste problema não passa por substituir docentes por robôs, mas por restituir atratividade a uma profissão que, na última década e meia, tem vindo a ser alvo de políticas que a têm desvalorizado e de campanhas levadas a efeito pelo poder político para que tal desvalorização também tenha lugar no plano social. Essas políticas levaram ao abandono da profissão de milhares de jovens já formados e à fuga, dos que terminam o ensino secundário, aos cursos de formação de docentes”, lê-se no documento.

Após as eleições legislativas de domingo, a Fenprof tenciona entregar na Assembleia da República uma petição para exigir medidas que revalorizem a profissão docente e atraiam mais jovens para a formação inicial.

Ao futuro Governo, em particular à nova equipa ministerial, será entregue um abaixo-assinado com as mesmas exigências e propostas concretas para iniciar processos negociais.

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