A construção da identidade começa desde cedo. E, quanto mais precocemente a criança sentir que tem a possibilidade de sozinha executar determinadas tarefas, melhor.  É essencial, também, que ela perceba que o esforço é mais importante do que o resultado. Desde tenra idade, deve ser estimulada a ter confiança para assumir riscos, superar desafios e a saber resolver situações de conflito.

Compete sobretudo à família, todos os dias, promover essa confiança e autoestima. Crianças com um desenvolvimento saudável tenderão a ser adultos mais seguros e cientes das suas capacidades e limitações. Ensiná-las a gostar de si próprias é meio caminho andado para a sua felicidade.

Uma criança com boa autoestima, mais facilmente, gostará de si própria e das pessoas com as quais se relaciona. No entanto, existem inúmeros fatores capazes de afetar a nossa autoestima: as deceções, as frustrações, situações de perda ou, por exemplo, quando não somos reconhecidos pelas coisas boas que fazemos.

Quando falamos de crianças em contexto escolar, são muitas vezes as dificuldades de aprendizagem que podem conduzir a uma perda da autoestima. Os pais de crianças com dificuldades de aprendizagem e também os profissionais que as acompanham, devem desenvolver e colocar em prática um conjunto de técnicas especializadas para monitorizar e modificar os seus comportamentos. Ao proporcionar-lhes um ambiente em que se sintam confiantes e confortáveis, estaremos a contribuir para que as suas atitudes sejam as mais adequadas.

Experimente, por exemplo, reforçar a autoestima e confiança da criança com as seguintes estratégias:

1. Mostre interesse sempre que a criança fala. Oiça-a atentamente. Muitas vezes o simples gesto de prestar atenção a uma conversa pode ser mais eficaz do que um elogio. A criança gosta e precisa de sentir que tem a sua atenção.

2. Ajude a tomar decisões. As crianças com dificuldades de aprendizagem costumam apresentar muita insegurança a tomar decisões. Ofereça-lhes várias opções que lhes permitam decidir mais facilmente o que pretendem. Estas opções contribuirão para melhorar essas competências. Por exemplo, "Maria, tu podes vestir a camisola cor-de-rosa ou a verde para irmos passear. Qual te apetece usar?"

3. Estimule a criança com dificuldades a participar com mais assiduidade nas aulas. Por exemplo, dê-lhe a oportunidade de responder a um exercício de escolha múltipla. Ou então, dizendo à turma o seguinte: "alunos, tentem pensar em 5 causas da Guerra Civil. Maria, consegues encontrar uma?"

4. Aumente gradualmente o nível de dificuldade. Quando uma criança apresenta dificuldade a executar uma tarefa, não lhe atribua uma nova, sem que conclua com êxito a primeira. Por exemplo, permita-lhe resolver com sucesso um exercício de adição e só depois lhe peça para executar uma nova tarefa de subtração.

5. Estimule os trabalhos de grupo. Muitas crianças com dificuldades de aprendizagem não se sentem confortáveis a participar em atividades coletivas. Experimente numa fase inicial, por exemplo, formar apenas grupos de dois alunos. Se a criança reagir bem à presença de um determinado colega e as atividades a dois estiverem a ser bem-sucedidas, experimente introduzir um terceiro elemento, e depois um quarto, até o trabalho de grupo envolver toda a turma.

6. Convide-o a sentar-se na secretária do professor. Por vezes, é útil que a criança com dificuldades e cuja autoestima é reduzida, possa iniciar um determinado exercício diretamente na mesa do docente. Logo que esse trabalho esteja a ser bem executado encaminhe-a de volta à sua mesa para concluir o exercício proposto.

Nunca deixe de elogiar o esforço das crianças para alcançar um objetivo, mesmo que o resultado final não seja o mais desejado! Quando não nos sentimos valorizados, mais dificuldades teremos em confiar em nós próprios, nas nossas capacidades e a expressar as nossas emoções.

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