Em declarações à Lusa, Carlos Cortes alertou para o “aumento gradual do número de infeções”, que resulta, segundo entende, do “desleixo e desresponsabilização das pessoas”.

O especialista lamentou que se verifique, “muitas vezes, que as pessoas recusam fazer o teste, numa postura indiferente e perigosa,” e também “não dão os contactos reais de risco”.

“Ainda ontem vi imagens de aglomerados de pessoas sem máscaras e sem qualquer distanciamento a assistirem ao jogo de futebol. É um momento de alegria e espero que seja por mais tempo, mas é preciso preocuparmo-nos com a nossa saúde e com a dos outros”, reforçou o médico, após a visita a Leiria.

Carlos Cortes criticou ainda as “mensagens de alguns altos responsáveis políticos que não são adequadas” ao contexto pandémico em Portugal, defendendo uma “preocupação redobrada nos cuidados que se devem continuar a ter, como a higienização, o porte de máscara e o distanciamento”.

Após a reunião com a direção do Agrupamento de Centros de Saúde do Pinhal Litoral, que integra os concelhos da Batalha, Leiria, Marinha Grande, Pombal e Porto de Mós, o dirigente constatou que se realizaram “mais 20 mil consultas” este ano, entre janeiro e maio, num total de 77 mil.

“Houve um esforço muito grande na retoma, tendo em conta que os doentes não vieram aos cuidados primários de saúde e não viram as suas patologias referenciadas”, adiantou.

Na visita ao centro de vacinação de Leiria, no estádio municipal, Carlos Cortes elogiou o seu funcionamento, afirmando que se está a inocular a uma “média de mil pessoas por dia”, tendo já a vacinação completa 27 mil pessoas”, ou seja, 22% da população de Leiria.

No entanto, Carlos Cortes voltou a reforçar a necessidade do Ministério da Saúde autorizar os médicos reformados e outros que também já se disponibilizaram para apoiar a vacinação, permitindo, assim, “libertar os médicos de família para onde são precisos, ou seja, dar consultas presencialmente aos seus doentes”.

“Desafio o Ministério da Saúde a repensar e a vacinação e a contratar médicos fora dos centros de saúde e hospitais”, sublinhou.

O dirigente reuniu hoje também com o presidente do conselho de administração do Centro Hospitalar de Leiria (CHL) a quem pediu que “colabore” e se “criem sinergias” com os cuidados de saúde primários.

“Percebi que há essa proximidade, mas a Ordem dos Médicos pode ter um papel de informação junto da população, para que utilize adequadamente os cuidados de saúde”, disse, exemplificando com uma das situações relatadas da ida às urgências antes de passar pelos cuidados de saúde primários.

Carlos Cortes ficou ainda satisfeito com a focalização na retoma das consultas não covid. Até 20 de junho, registou-se um aumento de 14 mil consultas. “Passaram de 134 mil para 148 mil face ao mesmo período do ano passado”, revelou.

Numa tentativa de reduzir a lista de espera das cirurgias, o CHL efetuou mais 1.400 atos cirúrgicos, passando de 6.900 para 8.500.

“Há vontade e empenho dos profissionais de saúde em recuperarem os doentes que não foram diagnosticados nem tratados durante a covid-19. Há situações complicadas nos doentes diabéticos, do foro da cardiologia e de outras patologias, devido ao receio de ir ao hospital ou ao centro de saúde. Não tenham medo de ir às consultas nos centros de saúde ou hospitais. As pessoas têm de procurar o seu médico”, aconselhou.

Em Portugal, morreram 17.079 pessoas e foram confirmados 869.879 casos de infeção, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

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