De acordo com o CINTESIS, com este estudo observacional, pretende-se avaliar os fatores que interferem com a microbiota intestinal (bactérias e outros microrganismos que habitam o intestino) de bebés “muito prematuros” hospitalizados numa unidade de cuidados intensivos neonatal nacional.

Em análise estão a dieta materna, o tipo de parto (vaginal ou cesariana) e o tipo de alimentação disponibilizada aos bebés nesta fase da vida (leite materno, leite materno doado fortificado e não fortificado ou fórmulas industriais).

“O leite materno é rico em probióticos e em prebióticos devido ao conteúdo rico em oligossacarídeos, que ajudam a modular a microbiota intestinal. Por isso, a Organização Mundial de Saúde recomenda o aleitamento materno em exclusivo nos primeiros seis meses de vida”, explica, em comunicado, Juliana Morais, investigadora do CINTESIS envolvida neste trabalho, que é coordenado por Conceição Calhau.

De acordo com a nutricionista, “quando o leite materno não está disponível, o leite humano doado deve ser a primeira alternativa. Embora este leite passe por um processo de pasteurização, acredita-se que o resultado na microbiota dos bebés será semelhante à do leite materno”.

“Já as fórmulas industriais têm sido associadas a uma menor diversidade de ‘bactérias boas’ e a maior obesidade aos 18 meses de idade”, acrescenta.

Os investigadores acreditam que o tipo de alimentação provocará diferenças significativas na composição da microbiota intestinal dos bebés nascidos entre as 28 e as 32 semanas de gestação, que são particularmente suscetíveis de sofrerem um desequilíbrio entre microrganismos benéficos e microrganismos prejudiciais, chamado de disbiose intestinal.

“Ao contrário do que se pensava antigamente, esta alteração precoce do tipo, quantidade e diversidade de bactérias e outros micróbios presentes no intestino não será temporária. Ela afetará a ‘programação’ do metabolismo e da imunidade muito para além da infância, influenciando o desenvolvimento de várias doenças na idade adulta”, refere a investigadora.

O projeto conta com a colaboração da Maternidade Dr. Alfredo da Costa/Centro Hospitalar de Lisboa Central e do único Banco de Leite Humano existente em Portugal.

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