Florent Pagny, um dos grandes cantores franceses da atualidade, com mais de 15 milhões de discos vendidos, anunciou a mudança para Portugal em setembro de 2017. "A vida é extraordinária lá. Mas vou também por questões fiscais. Toda a gente vai para Portugal por razões fiscais", justificou, em declarações ao jornal Le Parisien, o artista, um dos mentores da versão francesa do programa "The voice". Na altura, invocou "três regras fiscais" para abandonar o país natal.

"Não há impostos sobre as heranças. Não há impostos sobre a sucessão. Ainda não estou nessa fase mas acho essa parte simpática, admito", afirma o cantor. "Uma pessoa trabalha a vida toda pagando sempre impostos e, no dia em que morre, ainda lhe ficam com metade. Não é uma vergonha?", critica o intérprete de êxitos como "La beauté du doute" e "Savoir aimer". Na altura, Florent Pagny chegou mesmo a fazer um apelo ao presidente francês, Emmanuel Macron.

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"Mudem as regras para as pessoas regressarem", pediu. Apesar da alegada mudança para Portugal, o cantor continua a passar a maior parte do seu tempo em França e também na Patagónia, um dos seus destinos de eleição. No início deste mês, em parceria com Pascal Obispo e Marc Lavoine, Florent Pagny lançou o single solidário "Pour les gens du secours", uma homenagem aos profissionais de saúde que se batem diariamente para combater o surto de COVID-19 que afeta o mundo. Mas o alegado gesto caritativo não foi do agrado de todos os franceses, com muitos a criticar publicamente o intérprete de 58 anos nas redes sociais.

Para além das críticas, também tem recebido mensagens de ódio. "99% das pessoas compreendem o que estamos a tentar fazer mas é verdade que há 1% daquilo a que chamo os amargurados com a vida que não conseguem perceber o momento que estamos a viver e que só veem coisas negativas porque eu, supostamente, não pago os meus impostos em França", defende-se. "Eu pago os meus impostos em França", assegurou Florent Pagny à rádio France Info.

"Todas as atuações e prestações [laborais] em território francês estão sujeitas a impostos franceses e a taxas que têm de ser pagas em França. Eu, para meu azar, sou um artista franco-francês, não exporto muito o meu trabalho. Não vou muito mais longe do que a Bélgica ou a Suíça. Por isso, 80% do que ganho é em França, logo pago os meus impostos em França desde sempre. Estas acusações magoam-me porque são injustas e infundadas", garante o artista.

"Sinto-me constantemente obrigado a dar esta explicação, este curso de fiscalidade", queixa-se Florent Pagny, que voltou a justificar a mudança para Portugal. "Um dia, o estado francês entrou em minha casa, arrombou a porta, pegou nos meus móveis e vendeu-os. Depois, levou-me a tribunal [com a acusação de fuga ao fisco]. Perdeu os dois processos, o que significa que eu estava inocente! Nessa altura, pensei que não estava para lutar contra injustiças", diz.

"Decidi largar a minha casa e fui-me embora", desabafa Florent Pagny. O artista aponta o dedo aos que agora o acusam. "Fazem-no por ignorância. As pessoas não sabem. Em casa dos meus pais, quando era pequeno, diziam-me que, quando não sabemos do que estamos a falar, ficamos calados", afirma o cantor. Nas redes sociais, são, no entanto, raras as referências do compositor à vida em Portugal, apesar de haver um elogio público aos Açores. "São intensos", escreveu.

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