“Se houver movimentos sociais num determinado sentido, asseguro-lhos que aqueles que têm de contar votos olham para a sociedade e dizem: isto é importante”, declarou Marcelo Rebelo de Sousa, durante uma conversa com jovens, na Livraria Barata, em Lisboa.

Perante alunos do Colégio do Sagrado Coração de Maria e da Escola Secundária Dona Filipa de Lencastre, acrescentou: “Se não se mexerem as pessoas, as coisas ficam muito iguais ao que já são. E depois desiludem-se: outra vez a mesma coisa? A mudança parte das pessoas. Eu nisso sou basista, acho que se deve ser basista”.

“Não gostam do que está, só há uma maneira de mudar: é começar a fazer diferente”, reforçou.

O chefe de Estado defendeu que a participação numa pequena escala “é uma maneira de fazer política que é tão importante ou mais do que o voto” e referiu que “há partidos que resultaram de movimentos”.

Depois de ouvir vários dos jovens manifestarem desinteresse pela política, o Presidente da República sustentou que “os políticos falam pouco para a juventude” sobretudo porque “o sistema político envelheceu”, o que enquadrou como um problema dos países europeus em geral, com reflexos na abstenção.

No seu entender, “os partidos foram pensados para outra sociedade, onde os meios de comunicação social não eram os que são hoje, onde não havia redes sociais, onde não havia a aceleração da ciência e da técnica, onde não havia esta rapidez da comunicação. E não estão preparados para isso”.

Interrogado, depois, por um dos alunos sobre os perigos do excesso de exposição mediática, Marcelo Rebelo de Sousa deixou um conselho: “Olhem para os olhos de quem fala na televisão. Se olharem para os olhos, percebem logo se aquilo que estão a dizer acreditam mesmo ou não acreditam”.