Mais do que um problema meramente estético, o hirsutismo, um problema que afeta milhões de mulheres, pode ser uma manifestação de uma doença, geralmente do foro hormonal, pelo que justifica uma investigação sistemática pelo endocrinologista. Para além dos seus aspetos físicos, implica ainda problemas psicológicos e de desconforto nas relações sociais, justificando-se o seu tratamento e acompanhamento.

Esse deve, muitas vezes, ser feito em coordenação com o dermatologista. O hirsutismo é um problema crónico que se manifesta pelo crescimento excessivo de pelos grossos e escuros na mulher em zonas do corpo onde normalmente surgem no homem, como o lábio superior, o queixo e as regiões à volta dos mamilos, entre as mamas e abaixo do umbigo e ainda na região interna das coxas e nádegas. Mas como se manifesta?

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Esta é uma questão que muitas mulheres colocam um pouco por todo o mundo. Dependendo do grau de hirsutismo, leve, moderado ou grave, para além do crescimento anormal dos pelos, há, muitas vezes, outros sintomas associados, como pele oleosa, acne, cabelo fraco e oleoso, ciclos menstruais irregulares e redução da fertilidade. Nos casos mais severos, estão também presentes sinais de masculinização. As manifestações mais comuns são o engrossamento da voz, o aumento da massa muscular, a redução do tamanho das mamas, o aumento do tamanho do clitóris e até, em casos mais graves, a infertilidade.

Em 80% dos casos, o hirsutismo, problema que afeta e condiciona a vida de mulheres de todas as idades em todo o mundo, está, no entanto, "relacionado com um excesso de produção de hormonas masculinas [androgénios] pelos ovários e/ou de glândulas supra-renais, sendo a causa mais frequente desta hiperprodução de androgénios a síndrome do ovário policístico", como explica Jorge Dores, endocrinologista.

Outros mecanismos envolvidos nas causas do hirsutismo são:

- Uma resposta exagerada do folículo piloso (estrutura que dá origem ao pelo) a níveis normais de androgénios, de causa desconhecida (hereditária, na maior parte das vezes). "Neste caso, falamos de hirsutismo idiopático", esclarece Jorge Dores.

- A ingestão de medicamentos que podem estimular o crescimento dos pelos, "como é o caso dos corticoesteroides e dos anabolizantes, por exemplo", refere o endocrinologista.

- Em casos raros, pode ser uma manifestação de uma doença mais grave, como tumores (benignos ou malignos) dos ovários e das glândulas supra-renais. Ainda que rara, esta possibilidade deve ser sempre excluída pelo endocrinologista.

As mulheres mais afetadas

O hirsutismo atinge 5% a 8% da população feminina em idade fértil, o que significa que uma em cada 20 mulheres, entre a puberdade e os 50 anos, é hirsuta. Os dados são provenientes de estudos feitos maioritariamente nos EUA, mas os especialistas acreditam que a realidade portuguesa deverá ser semelhante ou superior. Apesar ter uma incidência muito heterogénea, é menos frequente nas mulheres asiáticas e africanas.

Na Europa, as mediterrânicas tendem a ser mais peludas que as nórdicas. Sabe-se ainda que existe uma relação do hirsutismo com a obesidade, embora não se conheça se de causa ou efeito. "Nem todas as mulheres obesas são hirsutas e nem todas as hirsutas são obesas mas há, todavia, uma grande coincidência e sabemos que o emagrecimento contribui para a melhoria", explica ainda Jorge Dores, endocrinologista.

Texto: Fernanda Soares com revisão científica de Jorge Dores (endocrinologista)

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