A depressão afeta pessoas de todas as idades e não escolhe classes sociais, género ou regiões geográficas. Provoca angústia e tem impacto na capacidade de as pessoas realizarem até mesmo tarefas diárias mais simples, com consequências às vezes devastadoras para o relacionamento com a família e amigos e a capacidade de ganhar a vida.

"É difícil assumir a doença para o próprio, é difícil assumir perante a família, mais difícil o é perante a sociedade, em especial a entidade empregadora e os próprios colegas de trabalho, que muitas vezes acabam por segregar quem está ou já esteve deprimido", frisa a médica Liliana Paixão, especialista em Psiquiatria.

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A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que cerca de 300 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem de depressão, uma doença que limita severamente a capacidade de levar uma vida diária normal, mas cuja gravidade é muitas vezes subestimada ou confundida com depressão temporária. No limite, a doença pode levar mesmo ao suicídio.

Principal causa de suicídio

Segundo dados da OMS, a depressão é, de facto, a causa que mais contribui para as mortes por suicídio, que chegam a 800 mil por ano em todo o mundo. "A depressão mata. A depressão não tratada pode levar à negligência dos próprios cuidados, como por exemplo de higiene e de alimentação, ao ponto de a vida ficar em risco. Pode levar à negligência dos cuidados de dependentes, como por exemplo os filhos, cujo crescimento ficará afetado a todos os níveis pela doença de um dos pais (ou dos dois)", alerta a psiquiatra.

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Proporção de utentes com registo de perturbações depressivas, demência e perturbações da ansiedade entre os doentes inscritos em Cuidados de Saúde Primários em Portugal Continental créditos: Direção-Geral da Saúde

Em Portugal, as perturbações mentais e do comportamento mantêm um peso significativo no total de anos de vida saudável perdidos e representam 20,55% do total de anos vividos com incapacidade (mais do que as doenças respiratórias ou a diabetes), segundo números da Direção-geral da Saúde (DGS).

"O grande risco é não se procurar o tratamento adequado e, não raras as vezes, o profissional adequado para o efeito. O culto do natural e nada de químicos e a ideia retrógrada e pouco informada de que o psiquiatra é para loucos fazem muitas (demasiadas) vezes a própria pessoa ou os mais próximos, na tentativa genuína de ajudar, procurarem tratamentos alternativos", adverte a especialista.

"Na depressão é o médico psiquiatra aquele que deve ser consultado. O trabalho articulado com o psicólogo é uma mais-valia, sendo a conjugação dos tratamentos psicofarmacológico e psicoterapêutico o mais adequado e que mais beneficia o doente em grande parte das vezes", assevera a especialista.

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Desinformação sobre os fármacos

A desinformação acerca dos psicofármacos pode comprometer o tratamento, frisa a médica. "Não se devem confundir antidepressivos com ansiolíticos, por exemplo. Os primeiros tratam, não viciam e, a terem algum papel no que diz respeito à memória e às funções cognitivas, será o de fazer melhorar as mesmas, quando estas estão comprometidas pela depressão", esclarece Liliana Paixão.

Alguns antipsicóticos e alguns antiepilépticos têm a função de estabilizar o humor, tantas vezes necessária no tratamento farmacológico da depressão, pelo que "não será de estranhar que o doente deprimido saia da consulta com uma prescrição de um medicamento que também está indicado para o tratamento da esquizofrenia e da epilepsia", recorda a psiquiatra. "Pode parecer que faz pouco sentido a quem não é profissional desta área da saúde, mas que a estranheza não faça descontinuar ou não iniciar o tratamento que tem o poder, de facto, de salvar a vida da pessoa", salvaguarda.

A importância da psicoterapia

Em Portugal, um dos dados que preocupa os especialistas é o intervalo que medeia entre o início de sintomas da depressão e o tratamento médico, que, em 2014, era em média de cinco anos. Só 35% das pessoas com depressão acedeu a cuidados médicos no primeiro ano de surgimento dos sintomas, de acordo com números compilados pela DGS e que constam do Programa Nacional para a Saúde Mental.

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Por outro lado, a depressão aumenta o risco de outras doenças, como as doenças cardíacas e a diabetes, já para não falar em questões como o presentismo ou absentismo laboral, muitas vezes difíceis de quantificar pelas autoridades de saúde.

Em termos de tratamento, normas de orientação clínica recomendam também a psicoterapia para pessoas com perturbações mentais.

Não obstante, a própria DGS reconhece que esta orientação com vista à psicoterapia é inviabilizada pela escassez de psicólogos clínicos no Serviço Nacional de Saúde (SNS), bem como pelo facto de nem todos os que existem terem formação específica para essas intervenções.

"Deve-se trabalhar sempre nas causas da depressão, sendo a psicoterapia o caminho para a maioria das pessoas que sofrem desta perturbação. Sendo a depressão um estado reativo a experiências de vida a psicoterapia ajuda as pessoas a olhar para trás e ressignificar essas mesmas experiências, atribuindo-lhe outro significado, de forma a não afetaram a vida da pessoa", resume Carla Oliveira, psicóloga na Clínica da Mente.

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