A ideia de que a francesa, que ficou famosa no final do século XX devido à sua idade provecta, não ser Jeanne, mas a sua filha Yvonne Calment, que a teria substituído em 1934, "é infundada", afirmam cientistas suíços e franceses num artigo publicado no Journal of Gerontology.

Para sustentar as suas conclusões, os autores recuperaram vários documentos históricos, incluindo um artigo publicado na imprensa local em 1934 em Arles - onde Jeanne Calment morava - segundo o qual uma "multidão particularmente grande" compareceu ao funeral de Yvonne, filha de Jeanne, falecida aos 36 anos.

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Para os investigadores será difícil imaginar que essas numerosas testemunhas não tenham observado a eventual fraude, "a menos que a ideia de cumplicidade de dezenas de pessoas seja aceite" nessa fraude de identidade, escrevem os investigadores.

"Todos os documentos encontrados vão contra a hipótese russa", disse à AFP o especialista em demografia Jean-Marie Robine, diretor de investigação de duas instituições na França.

O estudo analisa outro argumento dos cientistas russos, que consideravam estatisticamente impossível para um ser humano viver 122 anos.

Veja algumas fotos de Jeanne Calment

Ao estudar a longevidade de todas as pessoas nascidas em França em 1875 e 1903, os investigadores calcularam que um centenário tinha uma em dez milhões de hipóteses de atingir a idade de 122 anos.

Uma probabilidade baixa, mas que não torna a idade de Jeanne Calment menos "crível", de acordo com um dos coautores do estudo, o especialista em geriatria e epidemiologista François Herrmann, dos hospitais universitários de Genebra.

Cientistas russos mantêm versão

No entanto, os dois cientistas russos mantiveram a sua versão nesta segunda-feira, ao afirmar à AFP que o estudo franco-suíço que refuta a sua hipótese contém muitos "erros e lacunas".

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"Os autores desta publicação enganam a comunidade científica mundial e o mundo inteiro para não desacreditar no seu trabalho anterior", declarou o gerontólogo Valéri Novosselov.

O matemático Nikolai Zak, membro da Sociedade de Naturalistas da Universidade de Moscovo e o primeiro académico a colocar em dúvida o recorde de longevidade de Jeanne Calment, afirma que a nova publicação é "muito fraca".

Os dois cientistas publicaram em dezembro de 2018 no site ResearchGate um estudo que afirmava que a idosa falecida em 1997 não era Jeanne mas a sua filha Yvonne, que teria vivido por 63 anos com a identidade da sua mãe. Para isso, analisaram muitos documentos e arquivos, assim como testemunhos de pessoas que na altura a conheceram.

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