Nasceu em Hamburgo, na Alemanha, a 20 de maio de 1962. Hoje, poucos a conhecem como Christiane Vera Felscherinow mas Christiane F. continua a ser, quatro décadas depois, uma das personagens da literatura que muitos ainda recordam. A história da adolescente que, aos 13 anos, descobriu as drogas num concerto de David Bowie em Berlim e que, um ano depois, aos 14, já se prostituía para alimentar o vício, foi um êxito global.

Publicado originalmente em 1978, "Os filhos da droga" já vendeu mais de cinco milhões de cópias em todo o mundo. "O relato desta adolescente sensível e inteligente que, menos de dois anos após ter fumado o seu primeiro charro, se prostitui depois das aulas para pagar a sua dose diária de heroína e o pungente testemunho da sua mãe fazem dele um livro sem paralelo", refere um dos sites que o comercializa em Portugal.

Recomendada pelo Plano Nacional de Leitura, a obra foi escrita por dois jornalistas, Kai Hermann e Horst Hieck, com base numa entrevista que era suposto demorar duas horas mas que se arrastou durante dois meses. Nela, Christiane F. revela que, numa fase inicial, escolhia os clientes com quem tinha sexo, mas limitava-se a masturbá-los ou a fazer-lhes sexo oral. Com o passar do tempo e o aumento do vício, deixou de ser seletiva.

Aos 14 anos, prostituía-se para se drogar. O que é feito de Christiane F. 40 anos depois?

Há cinco anos, assumiu que nunca se arrependeu das escolhas que fez. "A heroína é parte daquilo que sou, como é que me poderia arrepender? A heroína fez-me rica, tornou-me famosa. Até viajei no jato [privado] do David Bowie por causa dela", admitiu em 2013. "Eu sou e vou continuar a ser uma junkie star, um animal de feira", afirma Christiane Vera Felscherinow, que ainda hoje vive dos direitos de autor do livro.

Desse e de "A minha segunda vida", que escreveu em parceria com a jornalista Sonja Vukovic, publicado em 2013. "Sem subterfúgios, tendo como pano de fundo o mundo da droga e as relações que se estabelecem, aquela que o mundo conhece como Christiane F. conta tudo neste livro, com uma franqueza surpreendente", descreve o comunicado de imprensa da editora Bizâncio, responsável pela publicação dos dois títulos em Portugal.

Quando o primeiro livro foi lançado, a adolescente tinha apenas 16 anos. Três anos depois, é confrontada com o filme que mediatiza ainda mais a sua história. "Ninguém acreditava, na altura, que aquela jovem perdida sobreviveria muitos anos. Ainda hoje, muitos não acreditam que ela ainda está viva", sublinha Vitor Paiva, um jornalista brasileiro que recentemente investigou a vida da alemã, que aos 46 anos voltou às drogas pesadas.

Aos 14 anos, prostituía-se para se drogar. O que é feito de Christiane F. 40 anos depois?

Tal como da primeira vez, voltou a dar a volta por cima sem superar totalmente a adição. Hoje, além de ser uma ativista contra o consumo de estupefacientes, também colabora com uma instituição de apoio à recuperação de jovens dependentes e mantém um blogue associado à revista Stern, a primeira publicação a contar ao mundo a sua história em 1978, ainda antes da publicação da versão original de "Os filhos da droga".

A maior parte dos que se drogavam com ela já morreram. Ela resiste mas as sequelas de anos de adição continuam lá. No início da década de 1980, Christiane F. contraiu hepatite C depois de partilhar uma seringa para se injetar. Teve ainda uma cirrose hepática. Também tem problemas circulatórios. "Vou morrer em breve. Eu sei disso. Mas não deixei de fazer nada na minha vida", escreveu nas primeiras páginas do último livro.

"Eu não consigo ficar limpa, [apesar de saber] que é aquilo que todos sempre esperaram de mim", admite. "Os médicos reclamam, mas eu tenho uma vida, no fim de contas. Pode não ser a melhor vida para se viver, eu não a recomendaria a ninguém, mas é a minha", desabafou já publicamente Christiane Vera Felscherinow, que inspirou "Youth in motion", a coleção de outono/inverno 2018/19 do criador de moda Raf Simons.

Youth in motion

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