Não tinha pensado comemorar o aniversário fora de Portugal mas o convite surgiu e Sílvia Rizzo, que acaba de fazer 53 anos, aceitou-o. Na passada sexta-feira à noite, a atriz embarcou num avião da EuroAtlantic Airways, na companhia de um grupo de amigos, rumo ao Pestana São Tomé, um dos hotéis mais luxuosos de São Tomé e Príncipe. Pouco antes de ir para o aeroporto, partilhou o que lhe vai na alma com o Modern Life/SAPO Lifestyle. "O que eu mais ambiciono é o regresso da normalidade", confidencia.

É uma pessoa bem-disposta por natureza, como os portugueses puderam constatar nalguns dos programas de televisão em que participou...

Eu tento ser... [risos]

Com toda essa sua boa disposição, como é que é fazer 53 anos em tempo de pandemia?

Eu tenho de os fazer. Independentemente de haver pandemia ou não, eu tenho de os fazer. Eu estava a pensar não contar este ano... [risos] Estava a pensar fazer só os 53 para o ano mas isto tem mesmo de andar para a frente. Não há hipótese...

Apesar da pandemia, a vida continua...

Sim, isto a que nós todos estamos a assistir é um episódio único na história da humanidade. Nunca mais ninguém assistiu a isto. O mundo está completamente parado. Espero que esta pandemia passe rápido e que não se repita... As coisas são mais estranhas ainda porque não está nada definido nem está nada percebido. Isto tem tido uns custos e uns danos muito grandes. Esperemos que, no meio disto tudo, não fiquemos com dores de crescimento. Vamos ver...

Ainda assim, tem a possibilidade de comemorar este seu aniversário fora de Portugal, com alguns amigos. Já é uma maneira de se abstrair um bocadinho da realidade atual...

Eu não tinha a intenção de ir passar o meu aniversário fora. Este convite surgiu num momento em que estou num intervalo em termos de projetos e de trabalho. Estamos todos! Uns estão mesmo parados porque estão ligados à música, outros porque estão numa pausa laboral...

Portanto, vamos todos aproveitar o facto de podermos descansar um bocadinho dessa realidade aqui. Eu, ainda por cima, fiz uma cirurgia à coluna no meio disto tudo. Foi tudo muito complicado. Vamos para descontrair um bocadinho. É isso que vamos tentar fazer. É só uma semana, também é rápido...

Nos últimos meses, por força das circunstâncias, temos passado mais tempo em casa. Quando chegar àquele destino paradisíaco, qual é que é a primeira coisa que lhe apetece fazer?

Eu quero é água! [risos] Eu quero é estar dentro de água. Vai estar a chover muito mas, ao mesmo tempo, vai estar calor. Como é um sítio muito aberto, vai-nos permitir estar em contacto com toda aquela natureza e relaxar um bocadinho a cabeça, porque aqui não consigo parar. Não durmo! A cabeça não para.

Estou sempre atenta, sempre a pensar quando é que isto passa, que alternativas temos, o que é que podemos fazer para nos reinventarmos. Não penso só em mim. Também penso nos outros à minha volta! Isto tem-me deixado muito desgastada. Vou, nestes dias, tentar refrescar um bocado as ideias e descansar o mais possível.

Muita gente, sobretudo nas redes sociais e nas conversas circunstanciais, tem dito que 2020 é um ano para esquecer...

Não, é um ano para lembrar! Não é um ano para esquecer... [interrompe] É um ano para lembrar exatamente tudo isto que se tem passado e todas as lições que se podem tirar daqui. Eu não quero esquecer nada. Não gosto de me esquecer de nada. Gosto de lembrar as coisas! Acho que esta pandemia é uma coisa que vai ficar na memória de todos.

O problema das pessoas e da história da humanidade é não termos memória das coisas, mesmo das mais recentes. É isso que nos faz repetir os erros. Se tivessemos memória, não voltávamos a repetir os erros. Só o faríamos se fossemos burros, que é o que tem acontecido. Nós estamos constantemente a repetir os mesmos erros. Faz parte da história... Este mundo é assim!

Foi sempre assim e dificilmente deixará um dia de o ser...

Vai continuar a ser sempre assim porque a essência das pessoas não muda. Os que têm responsabilidades são os piores e, portanto, não permitem que as massas evoluam. Há sempre uma pressão no sentido de manter as coisas da mesma forma porque, assim, as coisas são mais fáceis de controlar. A verdade é esta e a história repete-se constantemente.

Muito provavelmente, o presente que mais gostaria de receber no seu dia de aniversário seria a descoberta da cura para a COVID-19 mas, nessa impossibilidade, há assim alguma prenda que gostasse de desembrulhar nesta data?

Para já, gostava de começar a perceber o que é que se está mesmo a passar e gostava de saber que estávamos a tomar as medidas certas para acabar com esta pandemia. O melhor presente que podia receber era não termos mais danos do que aqueles que estão a existir. O facto de haver uma vacina vai permitir que as coisas comecem a voltar um bocadinho ao normal.

Eu gostava que isto passasse rapidamente e que voltassemos à normalidade. Esta situação não está a ser apenas complicada paras pessoas que têm COVID-19. Há muitos infetados, há muitas mortes, é um facto. Têm sido tempos muito difíceis para os familiares dessas pessoas mas, depois, também há o outro lado, que são os chamados danos colaterais.

As pessoas estão a ficar sem trabalho. Aliás, muitos já o perderam... Há pessoas a passar fome. Este tem sido um ano muito complicado. Portanto, para responder à sua pergunta, o melhor presente que poderia receber é a possibilidade de recuperarmos o mais rapidamente possível a vida das pessoas...

Esse é um sentimento que é comum a todos os portugueses mas, em termos materiais, uma vez que esse regresso à normalidade não depende de si, não há um presente especial que a deixasse feliz?

Não! Agora, era só mesmo que isto passasse. Presentes materiais, não... Aliás, eu peço sempre para não me oferecerem nada porque eu não preciso de nada. Eu acho que nós pensamos sempre que temos necessidades que, na realidade, não temos...

Esta pandemia permitiu-nos, aliás, constatar isso. De repente, estávamos confinados em casa com roupa, calçado, perfumes e acessórios que não podíamos usar...

É verdade! Nós temos um défice de recursos no planeta, como sabemos. Esse é um dos problemas mais graves que temos neste momento. Estamos todos distraídos com a COVID-19 e ninguém está a perceber ou, pelo menos, pouca gente se está a aperceber de que estamos numa situação de défice de reservas naturais.

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Já estamos em défice, não sei se uma coisa está ligada a outra, não gostaria de estar aqui com teorias da conspiração, mas a verdade é que nós não temos as necessidades que pensamos. Nós estamos sempre a utilizar os nossos recursos de uma forma estúpida e, se formos a ver bem, não precisamos de muitas dessas coisas para nada. Esta forma de agir tem tido custos globais que têm vindo a ser ainda mais sentidos agora. Eu dou por mim a pensar, muitas vezes, como é que, em 100 anos, já não estou a recuar muito mais, a partir da gripe espanhola e das várias famílias de gripes que tivemos, como é que o mundo não se preparou para isto.

Como é que nenhum chefe de estado, porque eles reunem muito e sabiam que poderia vir a haver uma pandemia como esta, se preparou para esta situação? Como é que ninguém no mundo se preparou para um surto pandémico como este que estamos a viver? Eu acho tudo isto muito estranho, tenho de confessar...

É uma questão pertinente, efetivamente...

Lá está, as pessoas que mandam nisto, as pessoas a quem nós confiámos as coisas, estão-se a portar muito mal. Têm-se portado muito mal e vão continuar a fazê-lo. Nós não podemos deixar nem o nosso dinheiro nem a nossa vida a ninguém, porque isto é tudo muito complicado. Não dá para confiar neles!

Um aniversário implica sempre o iniciar de um novo ciclo. Apesar das incertezas dos tempos que vivemos, como é que antevê os seus 53 anos? O que é que mais ambiciona para os próximos 12 meses?

O que eu mais ambiciono é o regresso da normalidade, ter trabalho e ter saúde. O trabalho é fundamental, até para a saúde, porque não ter saúde sai muito caro. Uma pessoa sem trabalho não tem, depois, possibilidade de se cuidar. Espero que seja possível retomar a antiga normalidade muito em breve. Eu tinha alguns projetos que foram cancelados durante da pandemia que espero que vão para a frente. Vamos esperar para ver...

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