27 de maio de 2014 - 10h01
A primeira análise feita às águas dos esgotos para estimar a quantidade de droga consumida e libertada pela urina revelou que os europeus do sul consomem mais cocaína e os do norte anfetaminas, segundo um relatório hoje divulgado.
As conclusões daquele que é o maior projeto europeu até agora realizado no novo domínio científico da análise de águas residuais constam de um documento das Perspetivas sobre drogas da agência europeia de monitorização do fenómeno da droga (EMCDDA) dedicado a esse tema.
Para este estudo foram analisados esgotos de mais de 40 cidades (de 21 países) em março de 2013 para investigar os hábitos de consumo de droga dos seus habitantes. Uma análise anterior, efetuada em abril de 2012 em 23 cidades de 11 países, serviu de comparação.
As águas residuais provenientes de cerca de oito milhões de pessoas foram submetidas a análises destinadas a detetar vestígios de cinco drogas ilícitas: anfetaminas, cannabis, cocaína, ecstasy e metanfetaminas
Segundo a EMCDDA, os cientistas conseguem estimar a quantidade de drogas usadas numa comunidade através da medição dos níveis de drogas libertadas na urina.
“Os resultados proporcionam uma imagem esclarecedora dos fluxos de drogas nas cidades envolvidas e revelam acentuadas variações regionais nos padrões de consumo”, conclui a agência.
Os vestígios de cocaína foram mais elevados nas cidades ocidentais e em algumas cidades do sul, mas mais reduzidos nas cidades do norte e do leste.
O consumo de anfetaminas está mais distribuído de forma uniforme pela Europa, mas ainda assim foi possível detetar níveis mais elevados no norte e no noroeste da Europa.

Já “o consumo de metanfetaminas, geralmente baixo e tradicionalmente concentrado na Europa Central, parece estar a expandir-se”, surgindo com mais prevalência no leste da Alemanha e no norte da Europa, alertam os especialistas.
Quando se examinaram os padrões semanais de consumo de droga constatou-se que, na maioria das cidades, os níveis de cocaína e de ecstasy aumentavam acentuadamente ao fim de semana, enquanto o consumo de metanfetaminas e cannabis parecia estar distribuído de forma mais uniforme ao longo da semana.
O relatório conclui que a análise a águas residuais permite fazer medições mais rápidas e mais regularmente do que os métodos tradicionais, pelo que se for usada de forma rotineira como complemento de outras formas de monitorização tem o potencial de “trazer nova luz às tendências de consumo de drogas na Europa”.
Por Lusa

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