27 de maio de 2014 - 10h00
A cannabis vendida nas ruas é cada vez mais potente devido às inovações introduzidas na produção desta planta e as emergências médicas relacionadas com o seu consumo estão a aumentar, revela o relatório europeu sobre drogas, hoje divulgado.
As novidades observadas no mercado de cannabis na Europa são uma das principais preocupações apontadas este ano pela agência europeia de monitorização do fenómeno da droga (EMCDDA).
Especialistas alertam que as drogas atualmente consumidas na Europa são “mais prejudiciais para a saúde” do que eram no passado e que há indícios de que a potência da cannabis vendida nas ruas esteja a aumentar, devido a alterações introduzidas na sua produção.
“As inovações recentemente introduzidas na produção de cannabis são motivo de preocupação, dado que os produtores estão a cultivar plantas que têm simultaneamente um elevado teor de THC (o princípio ativo da cannabis) e um baixo teor de CBD (uma substância antipsicótica)”, aponta o relatório.
Embora a potência de ambas as formas de cannabis tenha vindo a aumentar desde 2006, no caso do haxixe “esses aumentos foram bastante acentuados entre 2011 e 2012”.
Reflexo disso será o facto de a cannabis ter sido, em 2012, a principal droga mais frequentemente referida pelos utentes que iniciaram pela primeira vez tratamento da toxicodependência.
Os especialistas alertam também para a ausência de um acompanhamento no domínio das emergências médicas relacionadas com o consumo de cannabis, considerando tratar-se de um “ângulo morto” na vigilância europeia “às ameaças emergentes para a saúde”.
Tanto assim é que “os poucos dados disponíveis permitem concluir que as emergências médicas relacionadas com a cannabis parecem ser um problema cada vez maior em alguns países com prevalência elevada”, sublinham.
Estas preocupações são maiores para os europeus que mantêm um consumo diário ou quase diário desta droga e que correspondem a cerca de 1% dos adultos entre os 15 e os 64 anos.

De acordo com o relatório, cerca de 73,6 milhões de europeus consumiram cannabis em algum momento da sua vida, 18,1 milhões dos quais no último ano.
Aproximadamente 14,6 milhões de jovens entre os 15 e os 34 anos referem tê-la consumido no último ano.
Os especialistas indicam que, de uma forma global, o consumo de cannabis na Europa está a estabilizar ou até mesmo a diminuir, especialmente nas faixas etárias mais jovens.
No entanto, salvaguardam que em termos nacionais as tendências são mais divergentes, como mostra o facto de oito dos países que efetuaram novos inquéritos desde 2011 terem registado diminuições e os outros cinco referirem aumentos da prevalência do consumo no último ano (entre os 15 e os 34 anos).  
Plantações em crescimento
As plantações de cannabis estão a crescer em toda a Europa, levando a um aumento significativo do seu consumo na forma de erva, em detrimento do tradicional haxixe (resina de cannabis), maioritariamente importado. Estima-se que sejam consumidas por ano cerca de 2.050 toneladas de resina de cannabis (haxixe) e de cannabis herbácea (marijuana).
Há muito que a Europa é um dos maiores mercados mundiais de consumo de cannabis, sobretudo sob a forma de haxixe, maioritariamente importada de Marrocos.
No entanto, a EMCDDA revela que esse mercado se encontra atualmente dominado pelos produtos herbáceos, produzidos e consumidos a nível interno, uma vez que as plantações de cannabis têm vindo a aumentar consideravelmente em toda a Europa.
Na última década, o número de apreensões de marijuana em território europeu ultrapassou o das apreensões de haxixe, com cerca de 457.000 apreensões de cannabis herbácea, para apenas 258.000 apreensões de resina, em 2012.
Nesse ano, foram apreendidos cerca de sete milhões de plantas de cannabis, quantidade duas vezes e meia superior à notificada cinco anos antes.
Por SAPO Saúde com Lusa


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