Isabel Fernandes, de origem transmontana, mas radicada no Porto há vários anos, é criadora de moda e fundadora de marca que aposta e destaca artigos personalizados, recorrendo a técnicas manuais como o bordado, a pintura, as aplicações e acabamentos de alfaiataria e escolheu a seda de produzida em Freixo de Espada à Cinta, no distrito de Bragança, para dar vida os seus novos projetos.

“Tenho apostado na seda natural de Freixo de Espada à Cinta, por ser o único território em toda a Península Ibérica onde ainda se labora a seda de forma 100% artesanal e por ter tido a oportunidade de parceria com as artesãs residentes que, após adquirir todo o conhecimento de processo de fabricação da seda, desde os casulos até aos teares, se mostraram recetivas a novas propostas de desenvolvimento e criação de artigos, nomeadamente de passamanaria, acessórios e tecido para bordados em peças de vestuário no contexto atual”, explicou à Lusa a criadora.

Para Isabel Fernandes, a seda é uma “matéria-prima nobre” que existe em Portugal desde há alguns séculos e é pela sua história, contexto regional e delicadeza, que espoletou o interesse desta criadora de moda.

O objetivo da criadora passa por aliar as técnicas tradicionais do labor do fio da seda, tida como uma atividade cada vez mais artesanal e rara, a uma nova interpretação da seda, sem esta sofrer qualquer alteração no seu ciclo de produção tradicional.

“Neste caso, o filamento a respeitar nos teares tem uma certa espessura e ainda não permite um acabamento mais refinado do tecido e é a partir daqui que a parte criativa começa”, especificou

Isabel Fernandes contou à Lusa que quando foi visitar o Museu da Seda em Freixo de Espada à Cinta adquiriu umas amostras de tecido para criar peças únicas, pensando que o tecido teria outra textura, mas depressa percebeu que teria de pensar ao contrário. Os teares estão preparados para uma fiação artesanal e não industrial, por isso o resultado final não é tão refinado como imaginava.

“Tentei entender o que se poderia alterar, mas para manter e assumir os filamentos atuais, era imprescindível respeitar a maquinaria disponível. Assim sendo, estava perante um grande desafio e rapidamente percebi até onde poderia ir e decidi que iria abraçar esta aventura e trabalhar a seda no seu estado mais puro, não danificando as suas características base”, explicou .

A criadora avançou que vai desenvolver artigos personalizados, nomeadamente acessórios para chapéus, boinas, lenços, broches, telas, bem como bordados em seda em roupa masculina e feminina.

Os artigos são feitos por encomenda e com agenda marcada, com destaque priorizado ao gosto do cliente e são adquiridos online através da página da criadora De la Cloche — Handmade with LoVe.

Atualmente, a criadora desenvolve variados artigos, em destaque lenços personalizados para um cantor lírico cubano, radicado na França.

Fonte da autarquia, disse que peças em seda natural produzida em Freixo de Espada à Cinta também já integram algumas produções de moda de revistas da especialidade

Contudo, esta aventura da seda por terras de Freixo de Espada à Cinta já começou há alguns anos, com a autarquia a apostar em revitalizar todo o ciclo de produção de seda em modo artesanal e fazer do produto a imagem de “marca e económica” do concelho.

O primeiro passo para a divulgação do produto passou pela criação de uma nova imagem corporativa do concelho, onde todo o material promocional e de divulgação englobará um novo logótipo acompanhado da frase “Terras de Seda – Freixo de Espada à Cinta”.

O município está atualmente a apostar na promoção e venda de produtos em seda natural, através da loja virtual yoursilk.pt criada para o efeito.

Segundo os responsáveis pelo município, este é o único concelho na Península Ibérica, bem como em outros países europeus, a produzir seda natural de forma artesanal.

Há mais de 30 anos que o concelho de Freixo de Espada à Cinta começa a destacar-se na produção de seda pelo método artesanal. Dá início à formação de tecedeiras, incrementa a criação do bicho-da-seda e prepara-se para novos desafios.

A vila de Freixo de Espada à Cinta tem mesmo um museu onde está exposto todo o ciclo da seda, desde o casulo à peça final e onde trabalham ao vivo as “herdeiras” das antigas tecedeiras locais.