“Vou tomar a vacina que possa entrar no mundo todo. Não posso tomar essa vacina (…) lá de São Paulo, que não está aceita na Europa nem nos Estados Unidos. Eu viajo o mundo todo, tenho de tomar a específica aceita no mundo todo”, disse Bolsonaro numa entrevista a uma radio de Natal, capital do estado brasileiro do Rio Grande do Norte.

O chefe de Estado referiu-se a CoronaVac, vacina desenvolvida pela Sinovac, que tem autorização para uso emergencial no país e também aprovação para uso emergencial da Organização Mundial da Saúde (OMS), mas que ainda não é aceita nos países da União Europeia nem nos Estados Unidos.

No Brasil, este medicamento foi viabilizado por uma parceria firmada diretamente pelo Instituto Butantan, órgão ligado ao governo regional de São Paulo, com a Sinovac.

A declaração de Bolsonaro é um novo capítulo de uma disputa interna do Presidente contra o governador ‘paulista’ de quem foi aliado nas últimas eleições, mas que se tornou um desafeto político quando demonstrou interesse em se candidatar à Presidência da República em 2022.

Em outubro do ano passado, quando todos os imunizantes estavam em fase de desenvolvimento e não havia aplicação de nenhuma vacina contra a COVID-19, o Presidente brasileiro chegou a dizer que não compraria a CoronaVac, medicamento que ele chamou publicamente de “vacina chinesa do Doria” e sobre o qual disse desconfiar da eficácia em razão da “origem” chinesa.

No entanto, como o Brasil não tinha doses de imunizantes para vacinar a população em massa e o governo de São Paulo pretendia iniciar uma campanha própria de imunização porque o Butantan conseguiu a aprovação da CoronaVac junto a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), órgão regulador de medicamentos do país, o Ministério da Saúde decidiu incorporar esta vacina em seu Plano Nacional de Imunização e comprou 100 milhões de doses.

Na entrevista concedida nesta quarta-feira o Presidente brasileiro, que tem 66 anos e ainda não tomou nenhuma vacina contra a COVID-19, também voltou a dizer que será o último no país a se imunizar.

Já o Governador de São Paulo usou as redes sociais para acusar o Ministério da Saúde de boicotar seus planos de avançar a campanha de imunização no estado.

“Ontem recebemos metade das doses de vacinas da Pfizer previstas. O argumento é que SP [São Paulo] está com a vacinação mais avançada. Estão punindo a eficiência da gestão de SP? Tomaremos medidas para garantir vacina no braço da nossa população”, escreveu Doria em sua conta na rede social Twitter.

“O Ministério da Saúde deixou de entregar 228 mil doses que estavam planejadas. Isso pode atrasar a vacinação de 228 mil paulistas”, acrescentou.

Doria também afirmou em outra mensagem na rede social que São Paulo “não virou as costas para o Brasil. Já entregamos 65 milhões de doses da vacina do Butantan para salvar milhões de brasileiros”.

O Brasil é o país lusófono mais afetado pela pandemia e um dos mais atingidos no mundo ao contabilizar 558.432 vítimas mortais e mais de 19,9 milhões de casos confirmados de COVID-19.

A pandemia de COVID-19 fez pelo menos 4.247.231 mortos em todo o mundo, entre mais de 199,5 milhões de casos de infeção pelo novo coronavírus, desde que a OMS detetou a doença na China em finais de dezembro de 2019, segundo o balanço da AFP com base em dados oficiais.

A doença respiratória é provocada pelo coronavírus SARS-CoV-2, detetado no final de 2019 em Wuhan, cidade do centro da China, e atualmente com variantes identificadas em países como o Reino Unido, Índia, África do Sul, Brasil e Peru.