Depois de um longo período com as taxas Euribor negativas, o ano de 2022 está a ser marcado pela subida da Euribor e da inflação. E com o aumento das taxas Euribor em todos os prazos e uma inflação que já ultrapassa os 9% em Portugal, muitos portugueses pretendem agir para ganhar uma folga financeira. Afinal, o custo de vida está a aumentar e as prestações de crédito também.

Se este é o seu caso e tem uma poupança além do seu fundo de emergência, avalie se não lhe compensa amortizar o seu crédito habitação perante a subida dos juros. Mas antes de tomar esta decisão, conheça as vantagens e os pontos a considerar numa amortização de crédito.

Amortizar o crédito habitação com a subida dos juros: Sim ou não?

Antes de decidir se vai ou não amortizar o seu crédito habitação, é fundamental que faça uma análise às suas finanças pessoais. Afinal, a amortização de um crédito nunca deve colocar o seu orçamento familiar em risco, nem deve ser feita com o seu fundo de emergência.

Se estes dois pontos estão assegurados, então amortizar o seu crédito habitação pode ser uma opção vantajosa. E isto porquê? Porque caso tenha o seu dinheiro parado no banco ou num depósito a prazo, saiba que o seu dinheiro está apenas a perder valor.

Afinal, mesmo aplicando as suas poupanças num depósito a prazo, os juros associados a estes depósitos não estão a acompanhar a subida das taxas Euribor e muito menos o valor da inflação em Portugal.

Vou fazer um crédito habitação brevemente. Devo optar por uma taxa mista?
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Claro que ter uma poupança é um ótimo sinal e deve continuar a poupar ao longo da sua vida. Mas se o seu poder de compra estiver a diminuir e sentir o seu orçamento familiar cada vez mais apertado, aplicar as suas poupanças para evitar uma situação financeira complicada pode ser a melhor solução.

Assim, se amortizar o seu crédito habitação, tem a possibilidade de ganhar uma nova folga financeira, tendo em conta que irá reduzir o montante que paga de juros e o valor da sua prestação mensal de crédito habitação.

Atenção à comissão de reembolso antecipado

Antes de avançar com a amortização do seu crédito habitação, faça contas ao pagamento da comissão de reembolso antecipado. Sim. A maioria dos bancos cobram uma comissão pelo reembolso antecipado de um crédito, mesmo quando se trata de uma amortização parcial ou total do empréstimo.

Mas, segundo a legislação, os bancos não podem cobrar uma taxa superior a:

  • 0,5% do capital reembolsado: Empréstimos associados a uma taxa de juro variável;
  • 2% do capital reembolsado: Nos contratos de crédito habitação associados a uma taxa fixa.

Para saber qual será a comissão de reembolso aplicada pelo seu banco, olhe para o seu contrato de crédito habitação, pois esta deve estar descrita.

Qual o impacto na minha carteira ao amortizar o meu crédito habitação?

Para ter uma ideia do impacto na sua carteira ao amortizar o seu crédito habitação, pode recorrer ao simulador da prestação de crédito após amortização antecipada. No entanto, saiba que quando decide amortizar o seu crédito habitação, o impacto na sua carteira acontece de duas formas:

  • No valor da sua prestação: Representando uma redução imediata no valor da sua mensalidade;
  • Na redução dos juros no final do contrato: O que significa que irá poupar a longo prazo e o montante final a pagar pelo seu empréstimo será menor.

Mas para ficar com uma ideia do impacto de uma amortização de crédito, vamos usar o exemplo de um crédito habitação com um capital em dívida de 120.000 euros, tendo em conta que faltam pagar 360 prestações. Imagine que tinha este crédito associado a uma taxa Euribor a seis meses, e após a última revisão tinha ficado com uma TAN (Euribor a seis meses + spread) de 1,7%.

Se pretendesse amortizar o seu crédito habitação com 20.000 euros, a sua prestação mensal passaria de 425,76 euros para 354,80 euros. Ou seja, teria uma poupança imediata de 70,96 euros na sua prestação.

Já se amortizar o seu crédito com um valor menor, como por exemplo 10.000 euros, a sua prestação de 425,76 euros passaria para 390,28 euros (poupança mensal de 35,48 euros).

Claro que não podemos ignorar a subida dos juros e a hipótese da sua prestação de crédito continuar a subir. E por isso, se a sua TAN chegasse aos 2,5%, veria a sua prestação de crédito passar de 425,76 euros para 474,15 euros.

Se nesta altura amortizasse o seu crédito com 20.000 euros, conseguiria reduzir a sua prestação para 395,12 (poupança de 79,03 euros). Já se optasse por amortizar o seu empréstimo com 10.000 euros, a prestação mensal ficaria em 434,63 euros, o que representa uma poupança mensal de 39,52 euros.

Não se esqueça que esta poupança está apenas relacionada com o impacto mensal de uma amortização. É preciso fazer contas ao impacto anual e durante toda a vigência do contrato.

Além disso, esta pode ser uma boa altura para renegociar as condições do seu contrato de crédito habitação ou transferir o seu crédito para outra entidade. Afinal, com estas mudanças a sua folga financeira poderá ser ainda maior, pois há a probabilidade de baixar o spread do seu crédito habitação ou o valor que paga por produtos associados, como é o caso de seguro de vida do crédito habitação e o seguro multirriscos.

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