Ralph é um coelho, aparentemente banal, a explicar que veio ao mundo com um único propósito: o de ser utilizado para testes em animais, tudo para garantir a segurança dos ingredientes na indústria cosmética.

“O meu nome é Ralph, sou um coelho, como podem ver”, começa por dizer o coelho animado em 'stop motion', sentado num sofá, a olhar para  câmara de forma a documentar a sua vida. “Sou cego do olho direito e desta orelha [a direita], não oiço nada a não ser um zumbido.”

Esta prática, segundo os dados divulgados pela organização, ainda é legal em quatro em cada cinco países no mundo.

"O meu pai também era um coelho de testes, a minha mãe, os meus irmãos, irmãs, os meus filhos, todos para testes, e todos morreram a fazer o seu trabalho, como eu também vou morrer", diz Ralph numa curta metragem divulgada na página oficial da Humane Society International.

Esta organização americana, que trabalha desde 1991 na luta pelos direitos dos animais, pretende denunciar - e terminar - as práticas nos testes de animais em todo o mundo.

Taika Waititi, realizador, ator e vencedor do Óscar de Melhor Argumento Adaptado por “Jojo Rabbit“, dá a voz a Ralph.

"Raparam-me o pelo e tenho queimaduras químicas nas minhas costas, arde um bocado, mas não é nada de especial, só dói quando respiro ou me mexo. Mas ao fim do dia, quer dizer, está tudo bem. Afinal, estamos a fazer isto pelos humanos, certo? São muito superiores a nós, animais, eles até já foram ao espaço. Já alguma vez viram um coelho numa nave espacial? Acho que não", diz o coelho enquanto se prepara para mais um dia de trabalho na laboratório, onde vai ser submetido a mais testes.

A Taika Waititi juntam-se ainda as vozes de Ricky Gervais, Zac Efron, Olivia Munn, Pom Klementieff e Tricia Helfer, entre outros. A curta metragem foi realizada por Spencer Susser e está disponível na página oficial de YouTube da Humane Society International.

Na curta-metragem são mostradas algumas dessas práticas, numa cena em que Ralph está num laboratório e colocam-lhe um produto químico num dos olhos para testar a sua reação. Na cena seguinte, vê-se o coelho a entrar numa zona de balneários completamente cego e com as costas marcadas pelos outros testes que lhe foram sendo realizados ao longo do dia.

"O Ralph foi usado num teste Draize, um procedimento cruel desenvolvido há mais de 70 anos para avaliar as irritação que um químico pode provocar nos olhos e na pele, e onde não há alívio da dor. Hoje em dia, o teste ainda é usado em alguns países, apesar de já existirem outras formas de fazer este teste, que provaram ser mais eficazes do que os testes em animais como os coelhos para garantir a segurança dos cosméticos", escreve a organização.

Atualmente, e desde julho de 2013, a União Europeia não permite que sejam comercializados quaisquer cosméticos onde, durante o processo de produção, tenham sido feitos testes em animais. No entanto, são várias as marcas de grandes grupos de cosmética que ainda são forçadas a proceder a esta prática, especialmente as que querem ver os seus produtos à venda no mercado chinês, onde os testes em animais são obrigatórios.

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